Assim que a Prefeitura de Curitiba anunciou a bandeira vermelha a partir deste sábado (29), com medidas mais restritivas para conter o avanço da covid-19, várias críticas sobre o novo decreto apontaram para um anúncio de lockdown com fechamento de leitos nos hospitais da capital. Mas não é bem assim.

Logo após a capital passar pelo primeiro período de bandeira vermelha, que aconteceu entre os dias 13 de março e 5 de abril, a capital passou a fechar leitos de enfermaria com a desaceleração da pandemia depois do lockdown de pouco mais de três semanas. No dia 12 de abril, a Secretaria Municipal da Saúde chegou a anunciar o fechamento de 60 leitos de enfermaria da rede SUS exclusivos para atender casos de covid-19.

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No início de abril, Curitiba somava 523 leitos de UTI SUS para covid-19 e 814 leitos de enfermarias, também SUS para covid-19. Como havia 183 leitos de enfermaria vagos, a prefeitura decidiu desativar 60 deles naquela época.

Com a piora da pandemia no decorrer de maio, a Secretaria da Saúde passou a abrir mais leitos de UTI para garantir assistência médica a quem precisa. Nesta sexta-feira (28), Curitiba soma ao todo 539 leitos de UTI SUS exclusivos para covid-19, todos estão ocupados. Entre os leitos de enfermaria, a capital tem atualmente 726 leitos SUS, com 95% de ocupação. Restam 38 leitos vagos.

Ocupação de leitos de UTI é o preocupante

Enquanto ainda há espaço para ativação de leitos de enfermaria, a abertura de leitos de UTI tem sido uma das questões que mais preocupam as autoridades da Saúde. Em Curitiba, por exemplo, a taxa de ocupação de leitos de UTI é utilizada junto com outros critérios no cálculo matemático de definição da bandeira.

Garantir assistência médica a um paciente grave de coronavírus é um dos principais objetivos da implantação de medidas restritivas contra a covid-19. E no momento, não há mais vagas de UTI da rede SUS da ala covid em Curitiba.

Para ativar novos leitos de UTI é preciso planejamento preciso pois custa caro aos cofres públicos. Cada leito ativado de coronavírus custa R$ 800 por dia quando não está ocupado. Mas quando está em uso, o valor da diária passa para R$ 1.600,00. “Para hospitais que já são administrados pela secretaria, nós não pagamos essa diária, pois já está incluído no nosso custo. Para todos os demais, há esse contrato”, explica o diretor de gestão em saúde da Secretaria de Estado da Saúde (SESA), Vinícius Filipak.

No caso de leitos de enfermaria, o governo do estado ainda paga uma diária de R$ 300,00 para os leitos de enfermaria ativados para pacientes contaminados ou suspeitos da doença, independente de ocupá-los ou não.

Esforço das equipes nesta fase crítica

O diretor do Hospital do Trabalhador Geci Labres, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (28), revelou que as vagas de UTI no hospital estão totalmente lotadas. “O Sars-Cov-2 é um inimigo inteligente e letal. Temos hoje três vezes mais mortes que antes da covid-19, que desgasta nossas equipes. São pacientes que precisam ficar pronados, sedados, isso é um movimento delicado. Temos pacientes, às vezes com mais de 100 kg, que precisam de mais de oito pessoas para fazer a pronação. Há todo um cuidado com escaras em tórax, face. Coisas que a gente não vê em outras patologias. Essa medida da Secretaria Municipal é o único caminho para aliviar a pressão nos hospitais”, revela.