As recentes mudanças de entendimento sobre a vacinação de gestantes e puérperas – mães que deram à luz recentemente – têm gerado uma falta de consenso sobre o tema entre as autoridades sanitárias federais, estaduais e municipais. No Paraná, enquanto a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) segue as orientações do Ministério da Saúde em suspender a vacinação de grávidas sem comorbidades, a prefeitura de Curitiba segue seu próprio cronograma de imunização, vacinando todas as grávidas e puérperas com as doses da Pfizer.

Após recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Ministério da Saúde indicou a suspensão da aplicação de qualquer vacina em grávidas e puérperas saudáveis, e orientou que a imunização siga normalmente entre as gestantes com comorbidades – desde que sejam utilizadas as vacinas Pfizer ou Coronavac.

LEIA TAMBÉM:

>> “É horrível, mas podemos ter bandeira vermelha em Curitiba se situação não melhorar”, alerta Márcia Huçulak

>> Bolsonaro sanciona lei que determina afastamento de grávidas do trabalho presencial

A orientação será seguida pela Sesa, segundo nota enviada por e-mail à Gazeta do Povo. Na teoria, a suspensão deveria valer para todo o estado do Paraná, mas na prática não é o que está ocorrendo. Na capital, a Secretaria Municipal de Saúde está seguindo um rito próprio, e vacinando todas as grávidas e puérperas, com ou sem comorbidades, com a vacina da Pfizer. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o Município tem autonomia em relação ao assunto, e não precisa obrigatoriamente seguir as recomendações estaduais ou federais.

Em entrevista ao jornal Meio-Dia Paraná, da RPC, a secretária de Saúde da capital, Márcia Huçulak, reforçou que as gestantes estão sendo atendidas apenas com a vacina da Pfizer e destacou os riscos de ocorrerem quadros muito complicados em grávidas que contraem o coronavírus.

A reportagem fez um pedido de entrevista com o diretor geral da Sesa, Nestor Werner Junior, mas ainda não obteve retorno.

Sequência de mudanças

Em 15 de março, o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica na qual explicava que, apesar de não haver até aquele momento dados e informações definitivos sobre os potenciais efeitos das vacinas nas grávidas, era importante se posicionar sobre esse público como forma de combater a pandemia. Por isso, apontando que não havia contraindicações à vacinação, incluiu gestantes e puérperas entre os grupos aptos a receberem a vacina contra a Covid.

No dia 3 de maio a Sesa anunciou a chegada de 391,5 mil doses da vacina Covidshield, desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca em parceria com a universidade de Oxford e fabricada no Brasil pela Fiocruz. Esse lote, anunciou a secretaria, seria distribuído entre os municípios do Paraná para o início da aplicação em pessoas com comorbidades, incluídas as grávidas e puérperas. “Todas as gestantes podem ser vacinadas nesta etapa. Já puérperas, apenas as que apresentam comorbidades”, destacou o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, à época da chegada do lote de vacinas.

Uma semana depois, em 11 de maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma recomendação na qual orientava a suspensão da aplicação da vacina AstraZeneca em grávidas. A morte de uma gestante que havia recebido uma dose do imunizante estava sob investigação, o que levou a Anvisa a sugerir a interrupção. A agência informou que a aplicação da vacina da AstraZeneca deveria seguir sendo feita conforme a bula do imunizante, que até aquele momento já havia passado por três revisões – em todas foi mantido um alerta informando que a aplicação em grávidas só deveria ser feita sob orientação médica.

No mesmo dia a Sesa publicou uma nota na qual orientava a suspensão da aplicação da vacina AstraZeneca em todas as grávidas e puérperas – este segundo grupo não estava incluído na recomendação da Anvisa. A secretaria orientou também para que os municípios monitorassem grávidas que tinham recebido a primeira dose da vacina.

Na quarta-feira (12) o Ministério da Saúde emitiu um comunicado no qual orientava a suspensão da aplicação geral das vacinas da Covid em grávidas e puérperas sem comorbidades. Aquelas que possuem outras doenças associadas deveriam continuar sendo vacinadas normalmente com as doses da Pfizer e da Coronavac, fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan. O Ministério também informou que novas orientações para as grávidas que já receberam a primeira dose da AstraZeneca devem ser publicadas nos próximos dias.

A Sesa confirmou, em nota emitida no mesmo dia, que vai seguir a orientação do Ministério da Saúde. Também na quarta-feira a Prefeitura de Curitiba anunciou a vacinação em mais um grupo prioritário, as pessoas com comorbidades com idades acima de 55 anos. Na mesma nota, o Município confirmou que segue vacinando grávidas e puérperas com idades acima de 18 anos.