As lombadas eletrônicas de Curitiba estão desaparecendo aos poucos. Pioneira neste tipo de monitoramento de velocidade, Curitiba vai alterar, aos poucos, a forma com que fiscaliza o trânsito da capital. Não dá para afirmar que elas vão sumir para sempre, mas quem trafega pela cidade já deve ter percebido algumas mudanças. No total, 38 equipamentos foram retirados, sendo que quatro deles realmente deixarão de existir nos próximos dias.

Ainda assim, pelo menos por enquanto, 30 destes equipamentos vão permanecer em atividade. As lombadas eletrônicas são até “preferidas” por alguns motoristas, já que ficam expostas, piscando e avisando sobre sua presença, limitando a velocidade na região a 40 km/h.  

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Há cinco meses a prefeitura de Curitiba vem substituindo os equipamentos fixos de fiscalização eletrônica de velocidade. Foram firmados novos contratos e a Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito (SMDT) deu início à retirada dos equipamentos das antigas prestadoras do serviço como a Consilux, que teve contrato rescindindo em 2011 pelo prefeito Luciano Ducci. Na época, motivado pela reportagem do programa Fan­­tástico, da Rede Globo, que mostrou a existência de uma “máfia de radares” no país. Entre as empresas citadas na matéria estava o nome da Consilux.

Além da rescisão, a empresa recebeu um comunicado da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), solicitando a suspensão da instalação de 27 lombadas eletrônicas. Além desta questão de fim de contrato, a retirada das lombadas com luzes faz parte do processo de modernização da gestão do trânsito na capital.

A substituição para radares ou mesmo o uso de dispositivos como faixas elevadas vai depender de caso a caso. No entanto, não se descarta o retorno das lombadas eletrônicas mais atualizadas.

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Rosangela Battistella, superintendente de trânsito de Curitiba, reforça que o processo de mudança depende de contratos, licitações, pois as lombadas eletrônicas pertencem à prefeitura de Curitiba, mas as empresas são responsáveis pela implantação, operação e manutenção.

“É sempre feito um contrato com licitação, pois são de propriedade da prefeitura. As que foram retiradas eram todas da Consilux e a com a nova licitação, encerrou-se a ocupação. Fizemos a licitação dos radares, e das lombadas já foi dada a entrada para também fazer o contrato que tem validade por 30 meses, e que podem ser prorrogados por igual período”, disse Rosangela.

A outra empresa que “gerencia” as lombadas eletrônicas é a Perkons, que segue com 30 delas espalhadas na cidade ( ver locais de instalação conforme site da prefeitura).

As quatro últimas lombadas da Consilux devem sair nos próximos dias. Duas delas estão localizadas na Rua Tijucas do Sul, no bairro Novo Mundo, e outras duas ficam na Rua David Tows. No Sítio Cercado. As que ficavam na Rua Rafael Papa, no Jardim Social, e Nossa Senhora da Luz, no Bacacheri, também já foram retiradas.

E depois?

Equipamentos que monitoravam a velocidade em Curitiba foram retirados. Foto: Gerson Klaina

Depois de se fazer o processo licitatório, vai ser analisado individualmente o que irá ser feito nas ruas. Radar, faixas elevadas ou mesmo uma melhora na sinalização são as alternativas. “Em alguns locais vai ter o radar ou outros dispositivos. Em algumas situações atuais, não se tem mais o polo gerador de tráfego que tinha. Cada caso é um caso e é tratado separadamente. Quanto à velocidade, a lombada eletrônica permanece de 40 km/h, mas se for uma lombada física ou faixa elevada, passará a ser 30 km/h por ser uma legislação federal”, comentou Battistella.

Na Rua Fagundes Varela, por exemplo, já aconteceu a substituição de uma lombada eletrônica por faixa elevada, na frente do Bosque de Portugal.

DNA Curitibano

Lombada eletrônica da rua Mateus Leme foi a primeira de Curitiba. Foto: Daniel Castellano / Arquivo

A lombada eletrônica foi inventada em Curitiba. Por vários anos, se imaginou que a primeira teria sido foi instalada na Rua Francisco Derosso, no bairro Xaxim. No entanto, a Tribuna do Paraná descobriu em uma publicação realizada em 2018 que a iniciativa ocorreu de maneira inédita na Rua Mateus Leme, no bairro São Lourenço, que já não existe mais depois da criação do binário com a Rua Nilo Peçanha.

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Na oportunidade, o arquiteto que inventou e instalou o equipamento, Osvaldo Navarro, comentou que não lembrava da data exata de quando foi instalada a da Mateus Leme, mas tinha certeza que foram vários meses antes do que a do Xaxim, que foi inaugurada em 20 de agosto de 1992.

“Instalamos e ficamos meses testando, ver se funcionava corretamente, se fazia a contagem dos veículos, se o povo estava aprovando. Só depois é que foi colocada a da Francisco Derosso. E lá na Derosso era engraçado. O povo ficava na calçada vaiando quem passava”, disse Osvaldo em entrevista

No primeiro ano de implantação das lombadas eletrônicas, reduziu o número de infrações em 70%, e que cada lombada chega a evitar três mortes e 34 acidentes por ano.

Lombada “X-9”

Além de multar, a lombada eletrônica complicou a vida de alguns casais em Curitiba. Na Mateus Leme, caminho para os motéis na Rodovia dos Minérios, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana, quem ultrapassava os 40 km/h, recebia em casa a multa com foto de toda a frente do veículo e pegava a imagem dos ocupantes dos bancos da frente.

Com a correspondência batendo na casa e caindo na “mão errada”, a lombada separou casais. Alguns dos infiéis entraram com processos em Brasília, alegando invasão de privacidade, e conseguiram modificar a lei. Hoje, o equipamento fotografa só a placa.