O prefeito Rafael Greca (DEM) garante que Curitiba tem recurso para adquirir 1 milhão de vacinas da covid-19 fora do Plano Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde.

“Cabe ao Ministério da Saúde do governo federal do Brasil dinamizar a produção e suprimento de vacinas, intensificar o #TempoDeCura. Se nos permitirem, temos recursos para comprar 1 milhão de doses de vacinas pela prefeitura”, postou o prefeito em sua conta pessoal no Facebook nesta segunda-feira (25).

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Essa é a terceira vez que Greca fala da prefeitura adquirir vacinas por conta própria, fora do PNI. O recurso para aquisição das doses são do Fundo Emergencial da Pandemia de Coronavírus, no total de R$ 100 milhões.

No começo de dezembro de 2020, o prefeito de Curitiba foi um dos primeiros políticos a anunciar acordo com o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), para investir R$ 4 milhões em doses da Coronavac, a vacina chinesa produzida pelo Instituto Butantan. Entretanto, o Ministério da Saúde acabou absorvendo toda a produção de Coronavac do Butantan dentro do PNI – doses com as quais a capital paranaense começou a vacinação na última quarta-feira (20).

Semana passada, Greca voltou a falar na compra da vacina. Dessa vez, o prefeito anunciou ter enviado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) solicitação para importar da Índia doses da vacina Oxford/Astrazeneca para 35 mil servidores municipais que atuam diretamente no atendimento à população, incluindo professores, guardas municipais, agentes de trânsito e fiscais. Os trabalhadores terceirizados também estariam incluídos nesta leva, como motoristas e cobradores de ônibus e coletores de lixo.

Governo do Paraná é contra

A aquisição de vacina da covid-19 fora do plano de imunização do Ministério da Saúde é criticada pelo governador Ratinho Jr (PDS) e o secretário estadual de Saúde, Beto Preto. O secretário, inclusive, chegou a publicar um artigo na Gazeta do Povo considerando a busca de estados e municípios pela vacina fora do PNI como uma “corrida esquizofrênica”.

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Além de Curitiba, prefeituras das outras sete maiores cidades do Paraná também tentaram adquirir Coronavac do Instituto Butantan fora do plano do Ministério da Saúde: Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel, São José dos Pinhais, Foz do Iguaçu e Colombo. O Consórcio Metropolitano de Saúde do Paraná (Comesp), que representa os 28 municípios da Região Metropolitana de Curitiba, também havia manifestado interesse em ter as vacinas do Butantan.

Semana passada, Ratinho Jr não assinou carta do Fórum Nacional dos Governadores que cobra celeridade do presidente Jair Bolsonaro nas ações de vacinação da Covid-19. O documento, assinado por 16 governadores, pede principalmente que o governo federal mantenha um bom diálogo diplomático para comprar de vacinas e insumos de outros países, em especial China e Índia.