Na entrevista exclusiva concedida ao Paraná Online na última sexta-feira, a secretária de Trânsito de Curitiba, Luiza Simonetti, fez uma avaliação dos projetos em andamento para melhorar a mobilidade nas vias da capital paranaense. Ela adiantou que não é possível compartilhar a faixa exclusiva para ônibus, que já funciona na Rua XV de Novembro, com motos, bicicletas e táxis, conforme previsto no projeto do vereador Zé Maria (Solidariedade) aprovado na semana passada na Comissão de Legislação e Justiça da Câmara Municipal.

Qual a avaliação da Via Calma da Av. Sete de Setembro?

A Via Calma é um grande desafio. Mas podemos ter certeza que é um caminho sem volta. Temos um levantamento que 55% dos motoristas de Curitiba andam em alta velocidade. Então, a Via Calma é de fato um dos mecanismos de redução de velocidade de convivência e harmonia entre os modais.

E a faixa exclusiva para os ônibus na Rua XV de Novembro? Está funcionando? Teremos outras faixas exclusivas na cidade?

Tem um impacto muito grande pelo fato de a faixa ser realmente exclusiva e não preferencial. Mas em termos de desobediência, é incrível como a população entendeu a pista exclusiva. Fizemos um estudo de duas horas no local e nesse período 1.883 veículos circularam na via. Menos de 1% deles cometeram infração. Em fevereiro teremos com certeza mais uma faixa exclusiva para ônibus.

A exclusividade dessa faixa será estendida para motos, bicicletas e táxis?

Não tem como. Daí perde o sentido de exclusividade. São Paulo fez isso e voltou atrás.

A utilização de radares que medem velocidade média será ampliada?

Os motoristas hoje andam acima da velocidade e freiam apenas nos radares. Isso todo mundo faz. Mas qual o efeito educativo disso? Nenhum. Então a ideia é que até o final da gestão o motorista se eduque a andar no limite real da velocidade. A reprovação moral da velocidade tem que ser coletiva. Mas como esse tipo de radar ainda não está previsto na legislação, estamos fazendo um teste. É um monitoramento. Não podemos multar.

Qual a perspectiva da utilização dos no-breaks nos semáforos da cidade?

Sofremos muito com a queda de energia na cidade. Alguns equipamentos da rede de energia elétrica são muito antigos, assim como parte dos nossos semáforos. A recarga pode durar até seis horas dependendo da configuração do sinal. Então, era preciso é um caminho sem volta. Quando cai energia em alguns pontos, perdemos agentes que estavam no EstaR, que acabam indo trabalhar na organização do trânsito.

E qual avaliação do aplicativo para telefones celulares e tablets do EstaR?

Na semana que vem, vamos testar um novo equipamento no entorno do Hospital Evangélico. Será um aplicativo que estará dentro do veículo através de um pequeno aparelho que o usuário vai receber quando fizer o cadastro. Temos uma pesquisa que mostra que 80% dos usuários aprovam o aplicativo. Estamos focando muito nossas ações em soluções tecnológicas, que Curitiba, apesar de ter fama de ser referencia, deixa muito a desejar. Temos um Conselho de Trânsito, com pessoas de universidade que estão nos ajudando muito.

E a implementação do Sistema Integrado de Mobilidade?

Hoje temos um serviço contratado de temporização de semáforo, que é um reloginho mesmo. A ideia é integrar dados dos painéis, dos aparelhos que contabilizam o volume de tráfego e as câmeras para gerar informação ao motorista. Isso tudo não foi efetivado, já que é um projeto da administração anterior. A nossa expectati,va é que tudo funcione em definitivo em até um ano.

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