A curitibana Norma Oliveira Reis, de 42 anos, moradora do bairro Pilarzinho, sonha em retornar um dia para agência aeroespacial dos Estados Unidos: a Nasa. Ela chegou a ser estagiária do maior complexo espacial do mundo e ainda espera ajudar a humanidade nos próximos anos com estudos sobre felicidade na agência espacial.

Desde pequena, Norma recebeu apoio dos pais para chegar lá no alto. Uma das lições foi de não desistir com as negativas que a vida daria e que o estudo ajudaria nos objetivos. “Eu sempre quis ir pra Nasa. Desde os oito anos eu já buscava informações e aos 13 anos mandava cartas. Eu tinha um sonho muito grande de pousar na Lua e ir para Marte. Meu pai Antônio me incentivou a estudar inglês para entender a área espacial. Minha mãe, Antônia Reis, que já é falecida, também esteve presente nas feiras de ciências do colégio quando apresentava meus trabalhos sobre astronomia e astronáutica”, relembra.

LEIA TAMBÉM:

>> Professora de colégio tradicional de Curitiba morre vítima de covid-19 e aulas são suspensas

>> Pai que matou a filha em 2019 em Curitiba é condenado a mais de 30 anos de prisão

Mas para chegar na Nasa, não foi moleza. Formada em Pedagogia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Norma decidiu fazer mestrado em Administração Espacial, em Estrasburgo, na França. Mandava e-mails na tentativa de fazer um estágio e convenceu Olga Anna Gioppo, do Soroptimist International, uma organização mundial de serviços voluntários para mulheres que trabalham pela paz. “Tinha 29 anos e graças a ela, consegui dentre outras coisas uma bolsa de estudos para a universidade. Durante três meses, vivi uma experiência única no Centro de Voo Espacial Nasa Goddard, na cidade de Greenbelt, próximo da capital Washington, nos Estados Unidos. Pesquisei sobre os eclipses ao longo dos séculos e foi uma experiência única em todos os sentidos”, reforçou Norma.

Diagnóstico que mudou planos

Depois de voltar da Nasa, Norma foi morar em Brasília como funcionária pública, mas não deixou de imaginar que poderia um dia voltar para os estudos nos Estados Unidos. No entanto, em 2013, a pesquisadora foi surpreendida com o diagnóstico que iria mudar a sua vida e os seus planos. Norma descobriu que sofria de esquizofrenia, transtorno mental caracterizado por alterações no pensamento, como alucinações, delírios, problemas de raciocínio, apatia, diminuição da psicomotricidade e falta de motivação. “Estava no meio de um projeto de astronomia astronáutica e ciências espaciais para os estados, viajando para diversas regiões do país. Foi neste momento que surgiu a esquizofrenia na minha vida. Acredito que um sentimento inconsciente de culpa me fez ter os delírios. Comecei a ter delírios e mesmo com o diagnóstico não acreditei”, relembra a curitibana.

Durante quase quatro anos, Norma sofreu com os delírios e o primeiro tratamento não teve o resultado esperado, sendo internada em duas ocasiões por conta dos surtos. “Eu só fui despertar para a realidade da esquizofrenia quando parei de ter delírios, em 2016, depois de uma internação e um surto psicótico. Cheguei a danificar o apartamento que eu morava, desenhei nas paredes, quebrei copos, joguei computadores e dinheiro pela janela, porque fiquei sem medicação”, revela a pedagoga.

Hoje em dia, Norma tem acompanhamento médico e psicológico e faz tratamento com injeções mensais medicamentosas. A ex-estagiária da Nasa atualmente se dedica aos cuidados de seu pai, que é idoso e necessita de tratamentos especiais.

Recentemente, iniciou os estudos em Coach Integral Sistêmico e, nas horas vagas, ensina inglês em aulas particulares. No entanto, o sonho de voltar aos Estados Unidos continua. “Quero ser voluntária e fazer pesquisas sobre felicidade na Nasa”, sonha.