O custo de vida para quem reside em Curitiba e na Região Metropolitana (RMC) está cada vez mais alto e não tem como fugir. Alimentação, transporte, habitação, luz, combustível, gás e despesas pessoais estão subindo sem dó, cada dia mais. Aliás, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a maior inflação do Brasil entre as capitais no mês de 2021 foi Curitiba com 1,60%, o mais alto dos últimos seis anos, batendo a marca registrada em março de 2015.

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Basta sair de casa para perceber que os preços estão nas alturas e o bolso cada vez mais vazio. Um simples exemplo vai demonstrar o quanto o real desvalorizou nos últimos anos. Em 2019, ou seja, há apenas dois anos e ainda sem a pandemia do coronavírus, o litro de gasolina custava, em média R$ 4,32, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Nesta segunda-feira (16), o mesmo litro de gasolina chega a custar R$ 5,69 em postos de combustíveis de Curitiba.

Passando esses valores para a ponta do lápis, em 2019 era possível comprar 23 litros de combustível com R$ 100. Atualmente, os mesmos R$ 100 rendem cerca de 17 litros. Numa comparação ainda mais prática, um carro popular que faz uma média de 15 quilômetros por litro, roda, atualmente, 90 quilômetros a menos que dois anos atrás caso o motorista colocasse R$ 100 de gasolina. Isso corresponde a uma viagem de Curitiba até Paranaguá, por exemplo. Com a gasolina nesse valor, em quatro ou cinco dias da semana, você não vai ter escapatória: terá que voltar para colocar mais combustível.

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Alessandro Rocha, 37 anos, é motorista de aplicativo de carona e percebeu a desvalorização do dinheiro com a alta dos preços de combustível. “Eu gastava 50 reais na semana levando minha esposa ao trabalho e pegando minha filha na escola, mas isso hoje em dia, não dá três dias. A diferença entre os preços nos postos é muito pequena, e não compensa ficar rodando muito para ganhar cinco centavos no litro”, disse Alessandro.

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Alessandro Rocha é motorista de aplicativo e diz que não compensa correr atrás pra buscar preços menores, pois são todos muito parecidos. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

Além da gasolina, que já subiu nove vezes em 2021, os alimentos estão pela “hora da morte”. A mesma relação com o dinheiro feita anteriormente com o combustível, pode ser feita facilmente em um mercado. Hoje, R$ 100 no caixa faz com que o consumidor leve menos produtos para casa, e isso dando aquela pechinchada na hora da compra. Afrânio Nogueira, 57 anos, engenheiro agrônomo, realizou compra em um mercado de bairro no Pilarzinho. Ele saiu com o carrinho cheio, mas assustado com o compra.

“Imagino que há dois anos eu não gastaria R$ 200 com tudo isso. A inflação voltou e está pegando em todos os setores. Carne, material de limpeza, hortifrúti, não tem como escapar. Fico assustado com a carne moída que está custando R$ 38 o quilo.  Essa compra deve durar 15 dias e gastei mais de R$ 500”, confidenciou o engenheiro.

Afrânio saiu com o carrinho cheio do mercado e assustado com o valor da compra. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

Por que preços tão altos?

A culpa nos preços não está completamente relacionada ao dono do mercado ou do posto. Ao fazer o pedido, os valores sofrem com outros fatores que podem estar distantes do consumidor final. A variação cambial (dólar) e mesmo o clima afetam diretamente as pessoas. Uma geada em Colombo, cidade da Região Metropolitana, pode prejudicar lavouras e com a perda de algum produto, o preço consequentemente sobe.

Rubens Basso, dono de um mercado no Pilarzinho, reforça que o comerciante não está tendo lucro com essa elevação de preços, que por sinal só são reajustados quando necessário. “Essas alterações são realmente muito pesadas ao consumidor e elas acabam sendo inevitáveis da nossa parte. Eu só faço o reajuste quando chega a mercadoria nova. Quando consigo comprar bem e tenho em estoque, mantenho o preço ao consumidor. Hoje em dia, a carne pesa muito na conta final, e está muito difícil para todos. Não tem milagre, a dica que passo é manter a procura por produtos relacionados a estação do ano e a necessidade da pessoa”, alertou Basso.

Rubens é dono de um mercado no Pilarzinho e reforça que o comerciante não está tendo lucro com essa elevação de preços. Foto: Gerson Klaina

Os vilões do orçamento

Naturalmente a pesquisa para saber o melhor preço é fundamental para economizar. De acordo com o levantamento do Clique Economia da prefeitura de Curitiba, no começo do mês de agosto, a variação de preços de 14 gêneros alimentícios chegou a 64,75% de um estabelecimento para outro.

Entre os itens monitorados pelo serviço, o preço do sal apresentou 64,75% de variação para um mesmo produto. O pacote de 1 quilo do alimento foi encontrado por valores entre R$ 1,39 e R$ 2,29 em diferentes supermercados.

Outro item com grande alta é o extrato de tomate. A latinha de 340 gramas apresentou variação de 59,62% entre um estabelecimento e outro (com preços entre R$ 3,69 e R$ 5,89 para um mesmo produto). No caso do pacote de 500 gramas do café a vácuo, a diferença de um mesmo produto chegou a 58,20% (entre R$ 6,89 e R$ 10,90) e lata de sardinha de 125 gramas uma variação de 48,71% (entre R$ 3,49 e R$ 5,19).

Dica boa pra economizar

Segundo Adriano Cardoso da Silva, coordenador do Clique Economia, como muitos supermercados fazem promoções diárias, antes de ir às compras, é importante que as pessoas façam a comparação dos preços de alimentos. “Em vez de ir nos locais, o cidadão tem a comodidade de comparar os preços através do site do Clique Economia”, relatou Adriano. O Clique Economia é uma evolução do antigo serviço Disque Economia, e pode ser acessado pelo Curitiba APP ou diretamente pelo site da plataforma. São mais de 700 itens diferentes pesquisados diariamente nos supermercados da capital.

Outros inimigos do bolso do consumidor não estão nas prateleiras dos mercados. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), luz, água, gás e transporte são outros serviços e produtos que estão judiando do povo. A bandeira tarifária vermelha patamar 2 para a energia elétrica vigorou nos meses de junho e julho devido à crise hídrica, e desde o dia 24 de junho, teve acréscimo de 11,34% em Curitiba. No Paraná, por exemplo, contas de água e luz tiveram aumento 20% maior que a inflação.

O preço do gás de botijão (4,17%) e do gás encanado (0,48%) também subiram, bem como o condomínio e o aluguel ao longo de 2021. Ainda nos transportes públicos, destaca-se as altas do transporte por aplicativo (9,31%). Até planos de saúde e lazer, como os serviços de streaming, ficaram mais caros.

A realidade atual é essa e a previsão não é de melhora para os próximos meses, segundo especialistas. Com diz o ditado popular, “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”.

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