Péricles Rodrigues Borges, um paraense com a alma curitibana. Um garoto que cresceu só com a mãe, depois de perder pai e irmãos para a gripe. Se alfabetizou tarde, aos 10 anos, e sempre teve desempenho brilhante na escola. Gostava de contar a todos sobre seus boletins escolares que só tinham notas 10, e sobre ser “imbatível”, como ele mesmo dizia, nos campeonatos escolares de ping pong.

Amante de música, desde um fado de Amalia Rodrigues a uma marchinha de carnaval, não podia ver um piano, uma gaita ou um violão que lá estava ele, cantarolando e reproduzindo suas músicas preferidas.

Tinha muito orgulho de contar sobre sua trajetória profissional: de jornaleiro a jornalista, a obtenção da carteira de jornalista internacional por tantas matérias publicadas, os grandes jornais e revistas em que escreveu, o prêmio que ganhou da Associação Brasileira de Imprensa com um de seus tantos poemas. Também se graduou em Direito, mas a imprensa sempre foi sua grande paixão.

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E falando em paixão, esse era um de seus temas preferidos ao compor poesias para sua esposa Regina, que carinhosamente chamava de “minha loirinha”. A poesia, assim como a música, concorria com as viagens em sua lista de assuntos preferidos. Quando regressava de um destino, fosse em outro continente, ou aqui do ladinho, na Lapa, falava com o mesmo entusiasmo e já começava a planejar a próxima aventura. Apaixonado por fotografia, registrava cada momento feliz, cada paisagem florida. E foram muitas pelo mundo afora que se orgulhava de nos mostrar. E como ficava bravo se a revelação das fotos não mostrasse o céu azul e as cores vibrantes de sua memória…

E memória era um de seus talentos, por isso, foi um exímio historiador, principalmente de História do Brasil, chegando a questionar publicações de renomados autores e a “dar aulas” em museus e parques, sendo muitas vezes confundido com guia turístico ou historiador em seus passeios. Começou a escrever um livro de sua vida, mas não era fã de computador. Boa mesmo era sua antiga Remington e o barulho que fazia a cada toque. Marido romântico e apaixonado, pai presente e dedicado. Deixa esposa e 4 filhas com um lindo poema de sua autoria:

“Ondinha que o vento leva,
ondinha que o vento traz.
Vai levando essa saudade,
vai trazendo a minha paz”.

O velório e despedida de Péricles Rodrigues Borges será a partir das 15h, na Capela Jade do Vaticano, Rua Hugo Simas, 26. O sepultamento será nesta quarta-feira por volta das 10h na Rua Maurício Rosemann, 556, no cemitério do Vaticano, em Almirante Tamandaré.