A nova quarentena que começou a vigorar nesta quarta-feira (1) em Curitiba fechou as lanchonetes e restaurantes para atendimento presencial por 14 dias, permitindo apenas a entrega por delivery, drive-thru e balcão (take away). A medida, anunciada na terça-feira (30) pelo governador Ratinho Junior e acatada pelo prefeito Rafael Greca, pegou os empresários de surpresa – e provocou uma mobilização por ajuda.

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Isso porque a expectativa era de que as medidas mais restritivas para conter o avanço da covid-19 não atingiriam o segmento de alimentação fora do lar, que já tinha acertado com a prefeitura uma série de regras de funcionamento presencial em dois horários do dia. E os serviços de alimentação eram considerados essenciais desde o início da pandemia.

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O novo regramento estabelecido pelo decreto municipal 870 suspende temporariamente o decreto 810, que definiu as medidas de funcionamento dentro da chamada bandeira laranja de risco médio de contágio do coronavírus em Curitiba. A prefeitura confirmou que fica definido:

Bares: Permanecem fechados.

Restaurantes e lanchonetes de rua e shoppings centers: Permanecem fechados para atendimento presencial, mas podem entregar por delivery, drive-thru e balcão (take away).

Padarias, mercados e demais estabelecimentos similares de distribuição de alimentos: Atendimento presencial com 30% da capacidade de segunda a sábado, das 7h às 21h.

Feiras livres e lojas de conveniência em postos de combustíveis dentro da cidade: Suspensos temporariamente.

Segundo a prefeitura, a fiscalização será feita pela Guarda Municipal junto da Secretaria de Estado da Segurança Pública. O descumprimento das medidas pode chegar a R$ 10,6 mil.

100 dias

Para representantes do setor de alimentação fora do lar, a quarentena mais restritiva vai atingir em cheio o setor que já é o mais afetado pelo coronavírus. Nelson Goulart Junior, presidente da regional paranaense da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-PR), afirma que os empresários passaram os últimos três meses fechados ou operando com pouco movimento na esperança de que a prefeitura e o governo do estado se preparariam para o crescimento dos casos.

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“Não somos contra medidas técnicas e cientificas que contenham a pandemia ou diminuam os casos, mas esperávamos que isso fosse feito sem açoitamento após 100 dias. Nos deram uma madrugada para nos prepararmos para o dia de hoje”, diz.

Fábio Aguayo, presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), afirma que não houve qualquer tipo de ajuda neste meio tempo, e que os empresários não conseguiram ter acesso às linhas de crédito prometidas pelo governo do estado e pelo ministério da Economia.

“Vamos entregar simbolicamente as nossas chaves no Centro Cívico e exigir linhas de crédito do Governo do Estado, daquele R$ 1 bilhão anunciado. Queremos saber quem teve acesso ao dinheiro”, diz.

Protesto e conscientização

Para tentar contornar a falência de parte do setor (estima-se que 3 em cada 10 empreendedores não conseguirão se manter em pé até o fim da pandemia), as associações de classe e sindicatos patronais e laborais estão se unindo para cobrar providências dos governos municipal e estadual em três frentes de trabalho:

1- Jurídica – compensação do poder público para o pagamento das contas e tributos acumulados nos últimos 100 dias de movimento fraco ou nulo, já que muitos estabelecimentos permaneceram fechados voluntariamente ou não atendem por delivery. Já os que vendem por aplicativos, afirmam que as altas taxas cobradas afetam inviabilizam o pagamento dos compromissos.

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2- Conscientização – mostrar à comunidade que o setor não é o responsável pelo aumento da taxa de contágio, e que estava tomando todos os cuidados necessários para retomar as operações. Há a expectativa de fazer uma manifestação pública sem aglomeração.

3- Retomada – cobrança do governo para um plano efetivo de retomada do comércio, com a apresentação de relatórios que mostrem os níveis ideais de ocupação de leitos, clareza e transparência nas ações com o comércio.

As medidas e providências tomadas pelo grupo de representantes serão apresentadas aos governos municipal e estadual até o final do dia.

14 dias ou mais?

Em São Paulo, por exemplo, a quarentena que determinou a proibição do atendimento presencial começou no dia 24 de março e vigoraria até o dia 7 de abril. No entanto, a medida foi constantemente prorrogada até possivelmente esta sexta (3), quando será anunciado se a cidade passará para a fase amarela de flexibilização.”


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