A família da fisiculturista Renata Muggiati, morta em Curitiba em 2015, revogou no último fim de semana, a procuração que concedia totais poderes para Cláudio Dalledone Júnior, advogado que estava atuando no processo contra o médico Raphael Suss Marques, acusado de asfixiar e jogar o corpo de Muggiati do 31º andar de um prédio no Centro da capital paranaense. Marques segue preso e o julgamento ainda não tem data marcada.

O motivo alegado pela família da fisiculturista é que existe uma incompatibilidade na forma de atuação do advogado em relação ao caso mais recente, quando atuou como defensor de Luis Felipe Manvailer, condenado há 31 anos, 9 meses e 18 dias de prisão por matar a advogada Tatiane Spitzer, em Guarapuava.

“Desde que ele assumiu o caso do Manvailler passamos a analisar a possibilidade de mudar de advogado. São dois processos muito parecidos e ele atua em lados opostos. A partir do momento que ele passou a defender o Manvailler fragilizou o nosso caso”, disse Thereza Christina Gabriel, irmã de Renata Muggiata ao site G1.

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Além desta questão que envolve lados opostos no cenário advocatício, a família reforça que existem semelhanças em uma testemunha, uma delas considerada essencial para a acusação contra o réu. “Ele [Dalledone] deveria ter optado por um dos casos. O caso da Renata foi citado no julgamento sobre a morte da Tatiane Spitzner. Ao longo deste período que está defendendo o Manvailler, Dalledone também fez diversas declarações que nos contrariaram. Analisamos todas essas questões e decidimos pela revogação da procuração”, afirmou a irmã da fisiculturista.

Por meio de nota, o escritório de Cláudio Dalledone Júnior informou que respeita a decisão, mas lamenta a decisão da família de Renata Mugiatti, “Nunca houve incompatibilidade e isso seria facilmente notado caso tivesse havido acompanhamento efetivo do conteúdo do julgamento de Luis Felipe Manvailer”, relatou a nota.

O advogado é bastante conhecido por atuar criminalmente em processos de grande apelo popular. Nesta terça-feira (11), um vídeo viralizou nas redes sociais  simula uma agressão de esganadura no pescoço da sua assistente no júri, a advogada Maria Eduarda Lacerda. O Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), chegou a divulgar uma nota oficial relatando que vai analisar a conduta do advogado

Relembre o caso Renata Muggiati

Renata Muggiati morreu na madrugada do dia 12 de setembro de 2015, quando caiu do 31º andar de um prédio da Rua Visconde do Rio Branco, na esquina com Comendador Araújo, no Centro de Curitiba. Na noite do crime, Raphael Suss Marques teria dito à Polícia Militar (PM) que a mulher se jogou do prédio, porém, a Delegacia de Homícidios e Proteção à Pessoa (DHPP) desconfiou e encontrou elementos que pudessem acusa-lo de asfixiar e depois jogar o corpo da atleta pela janela, simulando então um suicídio.

Pouco depois do ocorrido, os laudos sobre a morte se contradiziam. Enquanto outros exames diziam que ela tinha sido assassinada, pois ela já estaria morta quando foi jogada pela janela do apartamento, o laudo de necropsia, feito por Daniel Colman, dizia que ela morreu quando caiu ao solo, ou seja, que estava viva quando despencou do prédio.

Não demorou muito e Raphael foi preso pela DHPP e, na época, negou o homicídio. Ele se defendeu dizendo que a mulher sofria de depressão e que já tinha tentado suicídio outras duas vezes. O corpo de Renata foi exumado, a junta médica concluiu o homicídio com um novo exame, e Raphael, que foi preso algumas vezes novamente, ficou detido até agosto de 2017, quando conseguiu o direito de responder ao processo em liberdade.

O médico está preso desde fevereiro de 2019 quando descumpriu determinação judicial e faltou em uma audiência do processo. Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), ele não compareceu porque estava em um torneio de pôquer.

O júri popular ainda não foi marcado. A defesa do médico sustenta desde o início do processo que a fisiculturista se matou, pois, ela teria se jogado no apartamento porque estava com depressão. Raphael irá responder pelos crimes de fraude processual, homicídio qualificado e lesão corporal.