Mudanças na estrutura familiar e desafios do mundo moderno tornaram evidente a importância do pai no desenvolvimento dos filhos.

Que o diga o servidor público Rafael de Carvalho Parreira, 33 anos, pai da Maria Clara, 11, e do João Francisco, 9. Ele tem na ponta da língua qual é o ponto de partida para o sucesso na formação dos filhos: o amor. Essa também é a recomendação da especialista em família, a psicóloga e psicoterapeuta Márcia Dallagrana. “O papel do pai é de proteção e os ingredientes que vão determinar isso são amor e afeto. Desenvolvem vínculos e referências, evitando que o filho vá buscar essa identidade, esse lugar no mundo, fora de casa”.

Para a psicóloga, essa é a ferramenta que vai blindar os filhos das influências externas, seja dos colegas, dos relacionamentos ou da internet.

Vunerável

A psicóloga vai adiante na importância do amor paterno e na demonstração desse sentimento para melhorar o comportamento dos filhos. “Os meninos tendem a imitá-los e as meninas a melhorar o padrão de escolha de seus parceiros se tem um pai carinhoso. Quem não se sente amado pelo próprio pai, passa se sentir culpado e fica vulnerável”, destaca.

Paternidade exercida

De acordo com Rafael Parreira, o exercício diário da paternidade e do amor exige muita disposição. “No meu caso, que são dois filhos, percebo que nunca foi possível impor tudo, muito menos agir sem considerar a personalidade de cada um deles. É preciso estar disposto a conhecê-los”, explica. “Aprendemos a conviver com duas pessoas que estão sendo formadas por nós, mas são diferentes entre si e não podemos liquidar a identidade deles”, completa.

Mas essa disponibilidade em respeitar a personalidade dos filhos não exclui regras, que foram muito bem estabelecidas. “Não dá para apenas obrigá-los a fazer as coisas. Eu percebi que, ao longo do tempo, o que deixamos claro como obrigação, como estudar e arrumar o quarto, por exemplo, pode passar a ser imposto nos dias em que eles deixam de cumprir, , porque está claramente dentro do acordo”, revela Rafael.

Vigilância

Essa regra também facilita no momento de definir o tempo de internet e televisão em casa, ou no conteúdo que eles podem ter acesso no universo digital. “Os dois entraram no Facebook na mesma época, só que hoje somente a Maria pode continuar usando porque o João acessou conteúdo adulto. Ele não contesta porque sabia da regra e do motivo pelo qual era proibido”, exemplifica.

Dividindo tarefas

A percepção do amor, segundo a psicóloga Márcia está fortemente relacionada à atitude de trazer para si a responsabilidade pela educação e formação dos filhos. “Percebo que os pais querem ajudar as mães, mas é importante entender que existe uma divisão de tarefas. Tanto o pai quanto a mãe precisam ser 100% responsáveis pelos filhos. Existem determinados tipos de função que não dá para delegar ao parceiro”, defende a especialista.

Organizar o tempo

Quanto ao desafio de gerenciar o tempo para acompanhar os passos dos filhos, novamente, Rafael coloca em prática o que os especialistas defendem: que cada um cria esse espaço. No caso da família Parreira, ele assumiu a tarefa de levar os filhos para a escola, de acompanhar o andamento dos deveres da escola, além de garantir o almoço. “As tarefas que envolvem os filhos são divididas assim: 50% para mim e 50% para a minha esposa. Também contamos com a ajuda da minha mãe”, explicou. Mesmo ciente do trabalho e dos desafios que ainda estão por vir, Rafael diz que não há como imaginar a vida sem eles. “Dá trabalho, mas é maravilhoso quando você percebe que eles gostam da mesma música que você ou, mesmo morando em Curitiba, seguem a tradição da família de t,orcer para o Galo” (Atlético Mineiro).

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