O Dia Internacional da Mulher foi marcado por luta e protestos em Curitiba. Uma multidão invadiu as ruas da capital na noite desta quarta-feira (08) para marcar a data. E, no lugar de flores e mimos, elas reivindicaram políticas públicas e debates sobre a questão de gênero. Atos semelhantes se repetiram em outros 12 estados.

Organizado por movimentos sociais, o protesto adotou o tema “Nenhuma a menos” e englobou diferentes pautas relacionadas não apenas ao universo feminino, mas também à política nacional, como a reforma da previdência. Segundo os organizadores, mais de 5 mil pessoas participaram do trajeto que saiu da praça Santos Andrade rumo à Boca Maldita. A Polícia Militar (PM) não apresentou uma estimativa de público.

De acordo com uma das organizadoras do protesto e membro do grupo Marcha Mundial das Mulheres, Janaína Meazza, o dia 8 de março é uma data de luta e de denúncia. “Não queremos flores e parabéns, mas respeito o ano todo”, diz. Para ela, movimentos como o desta quarta-feira são importantes para chamar a atenção da sociedade e iniciar o diálogo. “Muitas pessoas, incluindo mulheres, não compreendem o que é o feminismo. Isso é fruto de uma construção cultural que precisa ser desconstruída com ações assim”.

A advogada Priscilla Placha Sá lembra que a principal pauta do grupo é a igualdade e o combate à violência e ao assédio. “É importante mostrar que não admitimos viver com medo, seja na rua ou mesmo em casa. Queremos atentar a essa questão para evitar que casos como a chacina de Campinas sejam evitados”.

Além do episódio em que um homem matou treze pessoas no interior de São Paulo no início do ano, o protesto também recordou criticou também a saída da cadeia do ex-goleiro Bruno Fernandes, acusado de matar Eliza Samudio em 2010. “Se, depois de tanto tempo da Lei Maria da Penha, ainda temos casos assim nas capitais, imagine como é no interior, longe dos holofotes”, aponta Ana Claudia Santano, do grupo Política por.de.para Mulheres.

10Políticas públicas

Segundo Ana Claudia, todas essas pautas esbarram na falta de participação feminina na vida política do país. “Ainda falta muito para melhorar. Não temos nem 10% de representação no Congresso e nem espaço para sermos ouvidas. É uma política feita para homens”, desabafa.

E é exatamente essa predominância masculina que, para ela, faz com que muitas políticas públicas sejam negligenciadas. É o caso do aborto, tema que ela declara com uma questão de saúde. “Queremos ser protegidas. Ninguém escolhe um aborto como escolhe um brigadeiro”, critica. “E, se eu precisar de um aborto, não quero ter que me esconder e nem ser uma criminosa”.

A reforma da previdência também foi lembrada diversas vezes pelos manifestantes. Segundo elas, as mulheres serão ainda mais afetadas pelas mudanças propostas pelo governo federal, principalmente ao igualar o tempo de contribuição entre os dois gêneros. “O governo não considera que temos outras atividades que vão além do trabalho”, ressalta Meazza. “As mulheres vivem uma jornada tripla: além dos seus empregos, precisam cuidar da casa e da família. É uma sobrecarga e igualar só piora”.

Outros movimentos sociais também participaram do ato. Em frente à estátua Maria Lata D´Água, no Paço da Liberdade, mulheres negras discursaram sobre o racismo. Um pouco mais à frente, no Calçadão da XV, grupos ligados à causa LGBT trouxeram o debate sobre a homofobia à discussão.

Foto: Albari Rosa
Foto: Albari Rosa