Há 37 anos no mesmo ramo, o lotérico Auxilio Massacazu Suguimoto, 56 anos, sabe que lida com os sonhos. Durante todo este tempo, um dos mais antigos donos de casa lotérica de Curitiba já entregou muitos prêmios pela Loterias Muricy, no Centro de Curitiba. Mas as dificuldades, somadas às constantes ações de bandidos, quase fizeram ele desistir de sua franquia.

“Não é fácil ter um negócio. Quando se trata de uma lotérica, é mais difícil ainda. Em época de crise, nós tivemos que aprender a, literalmente, criar e tivemos que passar por uma renovação”, comenta. “Pensei em fechar as portas ou vender a lotérica, mas não tive coragem e tomei a decisão de não desistir. Não só por mim, por tudo o que já conquistei, mas também pelo que meu trabalho significa”.

Emocionado, Auxilio relata que parte da motivação para não desistir vem dos sonhos que pode realizar. “Já foram tantos, dos menores aos mais audaciosos. Mas pra gente sempre é uma emoção diferente. Eu me sinto feliz em saber que, de alguma forma, ajudei a melhorar a vida de alguém”.

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Auxilio comanda a Loterias Muricy. Foto: Gerson Klaina.

Segundo o lotérico, um dos prêmios que guarda na lembrança foi quando, em 1995, um empresário do ramo fotográfico ganhou R$ 5 milhões. “Esse prêmio mudou a vida do empresário. Ele veio, me contou que tinha ganhado depois de uma aposta em nossa lotérica e eu pude ver como ele soube usar bem o dinheiro”, exemplifica.

Ao ganhar o prêmio, o homem conseguiu triplicar o quadro de funcionários da empresa dele e modernizou toda a produção. “Ele foi um dos primeiros a trazer do Japão uma tecnologia que ainda não tinha no Brasil. Não só conseguiu melhorar a vida da empresa, mas também revolucionou o mercado”.

Toda blindada

Depois de ser alvo várias vezes de assaltantes, Auxilio percebeu que era a hora de agir para evitar que algo pior acontecesse. “Nós começamos a sentir que poderíamos acabar mortos a qualquer momento. Por isso, tínhamos duas opções: vender a lotérica ou melhorar nossa segurança”.

Depois de 46 dias de reforma, a Loterias Muricy foi completamente reformada. Toda blindada, a lotérica foi reaberta ontem, com muita comemoração do empresário ao lado dos funcionários, familiares e representantes da Caixa Econômica Federal (CEF), como o gerente regional de Curitiba, André Baú, e o superintendente regional, Renato Scalabrin. “Isso, pra nós, é um renascimento. Uma forma de continuar respirando no mercado. A modernidade vem, o passado fica na memória”, define Auxilio.

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Foto: Gerson Klaina.

Investimento seguro

O investimento alto, feito com uma empresa com todos os registros necessários exigidos pela Caixa Econômica Federal (CEF) e também pelo Exército Brasileiro (EB), permite que agora os funcionários possam trabalhar sem medo. “Tive até funcionária que pediu as contas por não se sentir segura. Ela não disse que era por isso, mas a gente sente. Se nem nós nos sentíamos seguros, né? Isso tinha que acabar”, fala Auxilio.

“A blindagem das loterias é uma tendência que tem se feito necessária no momento atual. É um forma de se preservar e ajudar os funcionários, que agora vão poder se sentir mais seguros até mesmo no atendimento aos clientes”, analisa André Baú. Conhecendo bem o empresário, André considera Auxilio um dos mais atuantes na capital. “Serve como exemplo para os lotéricos porque, além de ser um bom profissional, tem toda uma forma de agir com os clientes e sabe usar sua vasta experiência”.

O gerente regional da Caixa salienta que as lotéricas que passam pela reforma blindada recebem um benefício da Caixa. “Mas é de extrema importância que os empresários tomem o cuidado de contratar uma empresa certificada. Peça para a empresa as certificações e, se houver dúvidas, nos procure para esclarecê-las”.

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Foto: Rafael Tavares.

Unidos no trabalho

Auxilio tem o apoio da esposa e de um dos filhos, de 33 anos. A união entre os três é tamanha que já se entendem, na maioria das vezes, pelo olhar. Mas como toda família, às vezes têm uma discussão. “Ficamos unidos aqui, o dia todo juntos. Às vezes uma desavençazinha acontece, mas faz parte, por causa da convivência. Só que até isso eu encaro como positivo, pois são discussões construtivas e é bom que as opiniões sejam diferentes”.

O lotérico, que começou com quatro pessoas e hoje emprega 16 funcionários, avalia que, depois de tanto tempo de experiência, aprendeu a lidar com as mais diferentes diversidades. “Tudo, no final, se traduz em prosperidade e coisa positiva. E agora tenho ainda mais força para continuar em frente, sem desistir”.