O grupo de pessoas com comorbidades que segue se vacinando contra o coronavírus (covid-19) em Curitiba, desde a quinta-feira (20), é o de pessoas com 30 anos ou mais. A rapidez com que a idade das pessoas com comorbidades está baixando chama a atenção, já que, em dois dias, caiu de 49 anos para 30 anos.

A queda brusca levanta a dúvida se as pessoas desses grupos estão deixando de se vacinar. Afinal, a oportunidade de se vacinar não deve ser descartada em tempos de doses escassas que chegam ao Paraná.

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O que acontece, então? A prefeitura explica que quase 150 mil pessoas dos grupos de comorbidades são da rede de saúde particular e que, por isso, elas precisam de documento médico que comprove uma das 22 comorbidades da listagem de saúde. Nem sempre, segundo a prefeitura, o documento é conseguido com o médico de imediato.  

Usando a lógica da prefeitura de Curitiba na organização da vacinação contra a gripe, que baixou as idades e ampliou os grupos prioritários porque muita gente não tinha se vacinado, a impressão que se tem é que o mesmo ocorreu com a vacina da covid-19. No entanto, a lógica com a vacina da covid-19 é diferente.

Segundo a superintendente de Gestão da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Flávia Quadros, a decisão de ampliar os grupos prioritários com comorbidades levou em conta vários fatores. “Quantidade de doses disponíveis, condições de armazenagem com tempo mais curto da vacina da Pfizer, número de doses aplicadas em cada dia. Esses são alguns dos fatores para essa definição. Além, claro, das recomendações do Ministério da Saúde para os grupos prioritários. Nosso planejamento leva tudo em conta”, explicou a superintendente.

De acordo com ela, a prefeitura decidiu ampliar a idade do grupo prioritário das comodidades porque ainda tem gente atrás da comprovação da doença com o seu médico. “Entendemos que há essa hipótese. Por isso, para manter a vacinação em andamento e não termos postos e profissionais ociosos, analisamos as condições para incluir novas idades. Mas as idades estão dentro da recomendação dos 18 aos 59 anos, com comorbidades. Ou seja, a meta segue sendo cumprida”, apontou a Flávia Quadros.

A superintendente revela que no grupo atual, dos 30 anos ou mais, considera-se que uma pessoa com idade superior e dentro do grupo pode se vacinar no momento em que conseguir a comprovação médica. “Por isso o grupo atual é de 30 anos ou mais com comorbidades. Se a pessoa tem mais de 30 anos e ainda não tomou a vacina, pode ir tomar depois, sem prejuízo”, disse.

A previsão da prefeitura de Curitiba é vacinar cerca de 300 mil pessoas – com primeiras e segundas doses – dentro do grupo dos 18 aos 59 anos, com comorbidades. Segundo a Secretaria da Saúde, o número é a soma das 154 mil pessoas que já são acompanhadas pela prefeitura no cadastro do Sistema Único de Saúde (SUS) e de outras 150 mil que são a estimativa de quem esteja no sistema particular. “É uma projeção que tem se mostrado acertada”, destacou a superintendente.

A prefeitura de Curitiba também garantiu que quem tomou a primeira dose receberá a segunda dose dentro do planejamento da Secretaria da Saúde. Nós nos organizamos para isso. Curitiba reservou os lotes de segundas doses do Ministério da Saúde apenas para as segundas doses. Então, as pessoas que tomarem a primeira terão a segunda”, finalizou a Flávia Quadros.