Em tempos de pandemia e instabilidade econômica, a motivação para colocar em ordem as contas atrasadas, acabar com as dívidas e até limpar o nome negativado dá até uma tristeza. Muitas pessoas se culpam pelo lado ruim financeiro, mas não é o momento para baixar a guarda. Pode até levar um tempo, mas é preciso paciência e controle para não aumentar o buraco.

Segundo pesquisa da Fecomércio PR, 12,4% dos paranaenses começaram 2021 com contas em atraso. O número não é tão expressivo, mas se não cuidar agora, o volume dos endividados irá crescer durante a temporada. O início de cada início de ano é sempre mais pesado por ter contas como IPTU, IPVA, material escolar e tantas outras que marcam presença ao longo dos meses como luz, água, aluguel, gás, telefone, condomínio e a do temido cartão de crédito.  

Considerado o vilão das contas, o cartão oferece a falsa sensação de poder para compras que pode criar um verdadeiro rombo no orçamento familiar. As altas taxas de juros cobradas somado a possibilidade de pagar com prazo maior são as principais armadilhas que este tipo de crediário oferece. As operadoras de cartões de crédito, por sua vez, tentam cada vez mais conquistar clientes oferecendo isenção de taxas de anuidade, cartões adicionais gratuitos e inclusão no programa de pontos, porém mesmo com essas “vantagens” é preciso muita cautela ao fazer uso deste pequeno plástico.

Claudia Silvano, diretora do Procon- PR, reforça que os vencimentos que possuem juros mais altos como a do cartão de crédito devem ser priorizados na hora de definir qual conta quitar. “ É interessante que o consumidor evite o quanto puder o cartão de crédito. Se ele já está em uma situação difícil, que tente negociar com o banco, a substituição por outra linha de crédito com juros mais baixos”, disse Silvano.  

Uma das formas de buscar a negociação é pela plataforma online consumidor.gov. A ideia é permitir uma interlocução direta entre consumidor e fornecedor de uma forma mais rápida e direta. “É uma excelente opção para o consumidor, pois é um instrumento de cidadania e todos podem fazer sua reclamação de qualquer lugar, basta ter acesso à internet. Além disso, resolve mesmo. A empresa que se cadastra tem a intenção de chegar a solução”, comentou a diretora do Procon. 

Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná.

Tribunal de Justiça tem ajuda gratuita 

O superendividamento do consumidor representa sério risco, mas a atual legislação brasileira vigente é carente de mecanismos próprios para prevenção e tratamento do superendividamento. Sendo assim, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), em parceria com a Escola da Magistratura do Paraná, tem desde 2010, o projeto de Tratamento ao Superendividamento do consumidor.  O projeto é gratuito e atinge todas as pessoas que se vê impossibilitado de pagar todas as suas dívidas, atuais e futuras de consumo, com todo os credores, de acordo com seu orçamento familiar. 

Apesar de existir há 11 anos, a procura vem sendo pequena – no ano passado foram 34 pedidos de negociação e com 11 acordos realizados.  Para realizar o pedido, preencha o formulário-padrão, disponível no portal do Tribunal de Justiça do Paraná (http://www.tjpr.jus.br/superendividamento).  

Além do projeto, o TJ-PR lançou ano passado um programa de Educação Financeira com o objetivo de orientar famílias a planejarem os gastos e evitar o endividamento. A juíza e Carolina Gabriele Spinardi, juíza e coordenadora do Centro Judiciário de Solução e Cidadania Bancário (Cejusc Bancário), acredita que as pessoas entram em grandes dívidas por um consumo inadequado. “O consumo impensado e inadequado só se resolve com educação financeira. O TJ percebeu esta situação e reestruturou o programa dando a possibilidade da pessoa fazer um curso para chegar com clareza na audiência de conciliação. O brasileiro tem muito costume de pensar no valor das parcelas e não no custo total. Compra luzinhas para casa, mas não pensa na conta da luz”, comentou Spinardi.

Dicas para sair do buraco 

Marlon Roza, empresário, advogado e colunista da Tribuna do Paraná (Amigos de Negócio), preparou seis dicas para sair do buraco e deixar as dívidas de lado.  

 – Criar um planejamento financeiro: faça planilhas ou caderno de anotações que descreve todas as despesas e receitas possíveis durante todo o ano. A organização vai ajudar a definir o que é pode ser evitado  

– Não gastar mais do que recebe: as pessoas têm o costume de fazer isso, especialmente no cartão de crédito. A ideia é gastar 50% em despesas essenciais, 30% em despesas variáveis e assim economiza 20% para guardar ou mesmo fazer investimentos 

– Pesquisar preços: as pessoas acabam esquecendo de fazer a pesquisa de preço. Uma boa é um aplicativo chamado Menor Preço que ajuda a verificar o menor valor 

-Evitar viagens: se o orçamento está curto, pegue períodos fora da alta temporada, pois os preços serão maiores em todos os sentidos 

– Priorize o pagamento a vista: muitas contas possuem desconto no pagamento a vista, mas que isto não comprometa o orçamento do mês.  

– Mudança de hábitos: faça pequenas economias dentro de casa como apagar a luz, feche a torneira e preste mais atenção no que diz no rótulo dos produtos.