A Polícia Científica do Paraná, por meio do projeto Backlog, fez o processamento completo de mais de 2 mil vestígios (amostras de DNA) relacionados a casos de violência sexual no Laboratório de Genética Molecular Forense (LGMF). Em um dos casos foi constatado que um autor cometeu o mesmo crime em 14 vítimas diferentes, mas ainda não possível identificá-lo. O projeto visa processar mais de 150 mil amostras biológicas de crimes sexuais que aguardavam análise nas perícias para acelerar a elucidação de fatos ocorridos entre 2010 e 2017.

No Paraná foram selecionados os materiais genéticos de 913 vítimas de crimes sexuais, os quais geraram 2.003 vestígios. Em diversos casos, a vítima possuía mais de um vestígio com o mesmo perfil genético masculino, justificando assim a inserção de 786 perfis de suspeitos na RIBPG. Foi uma comparação com dados do Banco Nacional de DNA que auxiliou a polícia no caso Rachel Genofre.

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Por meio deste trabalho de análise genética, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp), foi possível constatar 342 coincidências de materiais genéticos de vítimas e de suspeitos com os dados que já estavam registrados no banco, resultando em 73 laudos de Informe de Coincidência de Perfil Genético, classificados nas categorias de match nacional (3), match com condenados (37), match com suspeitos de outros crimes já identificados (8) e match sem suspeitos (25) não identificados.

Diante destes resultados, foi criada uma força-tarefa entre Polícia Científica e Polícia Civil para dar seguimento às investigações de forma coordenada aos casos em que ainda não identificação do suspeito, mas há o registro do material genético dele.

O desempenho do Paraná é resultado do trabalho em 2021, o que significa que a meta de processar essa quantidade foi alcançada antes do prazo proposto pelo governo federal. O Estada havia se comprometido com essas 2 mil análises.

Banco Nacional

Criado pelo Comitê Gestor de Banco de Perfis Genéticos da Secretaria Nacional de Segurança Pública, o Backlog foi lançado para todos os estados vinculados à Rede Nacional de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG) e tem a finalidade de identificar autores de crimes sexuais não solucionados, confirmar a identidade de criminosos já identificados, excluir suspeitos injustamente acusados, além de conectar casos distintos com a mesma autoria (crimes seriais).

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O Paraná recebeu R$ 1,5 milhão do governo federal para operar o projeto. A parceria envolveu aquisição de insumos e equipamentos, como uma plataforma de automação de grande porte, proporcionando um avanço tecnológico ao laboratório paranaense.

Trabalho

Para o coordenador do Laboratório de Genética Molecular Forense da Polícia Científica do Paraná (LGMF), Marcelo Malaghini, o cumprimento da meta é uma realização. “A participação do Paraná no Backlog é de extrema importância para o auxílio nas investigações criminais, feitas por meio do banco de perfis genéticos”, afirma o perito criminal. “Concluir a meta do projeto é algo que merece ser comemorado e significa que houve um esforço grande por parte da nossa equipe”.

Para a perita da Polícia Científica Luciellen D’Avila Giacomel Kobachuk, que atua no Laboratório de Genética Molecular Forense, o Banco de Perfis Genéticos pode dar repostas a casos complexos. “É importante relatar que o banco tem uma influência no esclarecimento de casos em que pessoas foram acusadas injustamente. Neste aspecto, o fornecimento das amostras também tem o papel de inocentar, não só de acusar alguém”, afirma.

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Paula Eidt Fornari, também perita, diz que para atender o Backlog foram verificados os crimes que não tinham sido analisados até então. Também foi considerado como critério para inclusão de amostras no projeto a vinculação do caso a Boletim de Ocorrência ou Inquérito Policial, de forma a permitir futuras ações investigativas das forças policiais.

“O laboratório tem uma equipe empenhada que abraçou essa causa. É a oportunidade que nos foi concedida de poder colocar em prática o nosso dever”, afirma. “Hoje o banco é a principal ferramenta nas investigações criminais. Por isso, quanto mais vestígios e padrões, sejam de condenados, de familiares desaparecidos e vestígios de crimes, forem inseridos neste banco, maior a chance de solucionar diversos casos”.

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