Embora a população privada de liberdade pertença formalmente ao grupo prioritário no plano de vacinação contra a covid-19 do governo federal e do governo do Paraná, um terço deste público ainda não recebeu a primeira dose no estado até agora, e apenas 71 pessoas presas concluíram a imunização (primeira e segunda dose).

Os dados disponibilizados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) são da tarde desta sexta-feira (9).

No plano estadual, os presos estão na 17ª posição na fila prioritária, que é composta por 30 subgrupos no total (incluindo 7 subgrupos de idosos em diferentes faixas etárias). Na prática, contudo, eles ficaram na etapa final da fila prioritária. Questionada sobre o tema pela Gazeta do Povo, a Sesa informou que “já enviou 100% do quantitativo de doses necessário para cobrir” o grupo dos presos, mas que a aplicação é “de responsabilidade dos municípios”.

No Paraná, a população privada de liberdade é estimada em 32.379 pessoas, conforme a mais recente edição do plano estadual de vacinação (a sexta versão), publicada em 15 de junho. Até a quinta versão do documento, publicada em 25 de maio, o grupo da população privada de liberdade estava estimado em 61.465 pessoas. “Houve ajuste no denominador do público-alvo da população privada de liberdade, visto que a estimativa do Ministério da Saúde era maior que a realidade do Estado”, disse a Sesa, à Gazeta do Povo.

Até a tarde desta sexta-feira (9), 22.364 presos receberam a primeira dose e 71 também receberam a segunda dose. Pela estimativa, portanto, 10.015 presos ainda não receberam a primeira dose.

Boletim mais recente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre as contaminações no sistema prisional brasileiro aponta 63.332 casos de infecção confirmados entre os presos, com 242 mortes, desde o início da pandemia até 29 de junho. Em números absolutos, o Paraná aparece no boletim como o terceiro estado brasileiro com o maior número de casos, 4.916 presos infectados, atrás apenas de Minas Gerais (6.875) e São Paulo (14.800).

Ainda segundo o levantamento do CNJ, o Paraná já registrou 18 mortes de presos em decorrência da covid-19. Trata-se do quarto pior número entre os estados brasileiros, em números absolutos. São Paulo registrou 66 mortes; Rio de Janeiro, 25; e Rio Grande do Sul, 21.