Mais dois jovens foram assassinados no Jardim Holandês, em Piraquara. Os crimes ocorreram entre a noite de terça-feira e a tarde de ontem e, por enquanto, não foi estabelecida ligação entre eles.

Tiago Gomes de Souza, 21, foi morto à noite, enquanto Raul César Gabriel, 17 anos, o “Raulzinho”, foi surpreendido pelo assassino, no carreiro de um terreno baldio, em pleno dia e ao lado de uma escola. Os dois casos já estão sob investigação, mas sem suspeitas dos autores.

Tiago foi executado quando caminhava pela Rua Petrópolis, por volta de 22h de terça-feira. Ele levou um tiro na testa, que saiu na nuca. Testemunhas contaram a policiais militares que, depois dos disparos, dois homens foram vistos deixando o local em uma bicicleta. A polícia ainda não sabe quem são esses homens.

O investigador Hélio ressaltou que o homicídio ocorreu numa rua deserta e sem iluminação. “Ou ele foi levado forçado até o local, para ser assassinado, ou foi atraído até lá”, contou o policial.

O pai do jovem relatou ao investigador que Tiago era usuário de drogas e cometia pequenos furtos. Por conta disso, a família já esperava esse fim para o rapaz.

Betonex

Raul César Gabriel, 17 anos, conhecido como “Raulzinho”, foi morto com dois tiros quando passava de bicicleta pelo carreiro de um terreno baldio na Rua Betonex, usado por muitos moradores para cortar caminho.

A área está localizada atrás de um posto de saúde e ao lado do Colégio Ivonete Martin, que realizava as aulas normalmente quando o crime ocorreu, às 16h de ontem.

Segundo apurou o investigador Hélio, “Raulzinho” foi se encontrar com um amigo. Na volta, ambos pedalavam juntos pelo carreiro do terreno baldio quando encontraram com o assassino.

Moradores próximos ouviram quatro tiros. No entanto, apenas dois atingiram a vítima, na axila e no peito. A cerca de 15 metros do corpo ficaram as bicicletas de “Raulzinho” e do amigo, que sumiu do local.

A polícia ainda não sabe quem estava com a vítima, mas tenta localizá-lo para que ajude a elucidar o homicídio. Também não se sabe por qual motivo “Raulzinho” foi morto. Ele morava no Jardim Holandês e, segundo uma amiga dele contou ao investigador, não estudava e não trabalhava.

Matança recomeça

Márcio Barros

Segundo dados da delegacia de Piraquara, foram mais de 40 dias de tranqüilidade, sem registro de morte violenta, até meados deste mês. No entanto, a paz durou pouco. Thiago e Raul foram, respectivamente, a sexta e sétima vítimas de homicídio no Jardim Holandês, em menos de 10 dias.

A matança começou na noite de terça-feira da semana passada, quando Rafael Pereira da Silva, 24 anos, foi morto a tiros. Dois dias depois, foram executados Gelson Lara da Luz, 19, Cleverson Bruno Mendes, 16, e Emyle Souza Passos, 15, em um barraco da Rua Luiz Telles de Souza, próximo ao campo de aviação, todos com tiros na cabeça.

Passaram-se mais dois dias e novamente os moradores do Jardim Holandês lamentaram a violência no local. O corpo de Sedimar Maciel foi encontrado na Rua São José, com um ferimento na cabeça. No mesmo dia, Gisele Garcia da Silva Barros, 30, foi baleada na cabeça e no ombro.