A nova proibição de funcionamento da tradicional feira de artesanato do Largo do Ordem caiu como uma bomba entre os feirantes. Em novo decreto, a prefeitura de Curitiba informou na noite de sexta-feira (04), que nos domingos (06 e 13), as barracas não poderão estar abertas, com o objetivo de controlar a expansão da covid-19. Decisão que revoltou os expositores, neste que costuma ser um mês lucrativo com as vendas de Natal.

A volta da feira pode ocorrer somente no dia 20 de dezembro, isto se não for prorrogado o decreto que tem validade até o próximo dia 14 .

O repórter fotográfico Lineu Filho foi até o Largo neste domingo para registrar a movimentação e produziu o vídeo a seguir. Queiram assistir, por favor!

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O ano de 2020 foi complicado para os artesãos, que costumam produzir vários tipos de itens que encantam curitibanos e turistas. Com a pandemia do novo coronavírus, as feiras de artesanato foram canceladas durante o ano. Na tentativa de não perder totalmente o contato com os fregueses e a receita na comercialização, a internet auxiliou, mas pouco em relação à venda direta com o consumidor.

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Na feira mais tradicional de Curitiba, a do Largo da Ordem, foram cinco meses sem atividades. O retorno ocorreu em agosto, com a realização de um rodízio entre os 1.300 artesões cadastrados. Algumas medidas foram adotadas como o distanciamento de dois metros entre uma barraca ou outra e a obrigatoriedade de disponibilizar álcool gel a todos. Além disto, o sábado também passou a ser um dia a mais de venda, mas pouco lucrativo.

Expectativa de vendas com o Natal

A esperança na melhora nas vendas por parte dos feirantes era a chegada do Natal e de eventos como amigo secreto, além da maior presença de turistas na cidade. Comerciantes investiram pesado financeiramente para dar mais opções ao cliente, mas com o fechamento da feira, o prejuízo vai atingir firme no bolso de todos. Fabiano Neras, é um dos representantes dos feirantes e responsável pelo trecho de 300 barracas do Largo da Ordem. Segundo ele, a notícia da proibição caiu como uma bomba e o impacto no prejuízo é imensurável.

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“A notícia caiu como uma bomba. Foi um impacto muito grande para muitas famílias que não se inscreveram para outras feiras como a da Praça Osório, pois tem o custo da taxa e precisariam comprar mais material para expor. Apostaram tudo no Largo e sem a feira, a situação do feirante ficou complicada. O prejuízo é imensurável, se for falar em valores. Alguns investiram o que não tinham para a época com temas natalinos e quando saiu o decreto, as pessoas começaram a entrar em contato comigo e choravam”, desabafou Fabiano que vende velas e sabonetes veganos.

Feira x shoppings

Para os feirantes, a proibição é uma medida injusta e vai impactar diretamente nas pessoas que só querem trabalhar. O motivo para este descontentamento está no espaço que é aberto, arejado, barracas distanciadas e com álcool gel.  Há 15 anos na Feira do Largo vendendo bolachas especiais, Indiara Pinheiro Fernandes, 49 anos, acredita que faltou bom senso no decreto, se comparado com as regras impostas aos shoppings que podem funcionar de segunda à sábado, das 9h às 22 horas.

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“Isto não é justo, pois o shopping está aberto. Nós dependemos exclusivamente da feira e só queremos trabalhar.  Está sendo um período de desespero e vai ser muito difícil o término deste ano. Temos uma programação de venda e vivemos da feira, pois comercializamos para empresas, presentes de amigo secreto e confraternizações”, disse Indiara.

“Vírus domingueiro”

Feirinha do Largo da Ordem em tempos de pandemia, antes da bandeira laranja. Foto: Lineu Filho/ Tribuna do Paraná

O prejuízo no bolso de quem investiu pensando no retorno financeiro preocupa e a comparação com outros serviços públicos também está na boca dos feirantes. Marlete Cieniava, 43 anos, está há 26 anos no Largo da Ordem vendendo livros. Nas últimas duas semanas, investiu R$ 4.100 e com o fechamento da feira, o prejuízo promete ser alto.

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“As pessoas estão lendo mais na pandemia e por isto, fiz o investimento. Neste período, são os melhores meses de trabalho e não vejo motivos para cancelar a feira, pois estamos proporcionando segurança aos clientes e para a gente. Parece que o vírus só se propaga aos domingos. Ele é domingueiro pelo jeito, pois os ônibus estão lotados nos outros dias. Aí, a culpa é da feira?”, desabafou Marlete.