“É voltar à vida, mas com um misto de sentimentos”. Assim definiu Deonilde Zanatta, 64 anos, uma das moradoras do residencial Hannover, no bairro Água Verde, em Curitiba. Neste sábado (20), autorizados pela Comissão de Segurança de Edificações (Cosedi), os moradores pouco a pouco tentaram retomar a rotina e o que deixaram para atrás depois da explosão que matou um menino de 11 anos e chocou não só a cidade, mas todo o país.

Durante o tempo que ficou longe de casa, Deonilda foi hospedada com o marido na casa de uma filha. “Fomos muito bem acomodados, fizeram de tudo para que a gente se sentisse à vontade, mas sabemos que invadimos o espaço, a privacidade. A vida parou e você não sabe o que fazer, quando iria voltar, não tínhamos uma resposta definitiva e a situação do prédio, o estigma que vai ficar, a tristeza das pessoas, a lembrança. Uma coisa muito difícil, complicada”.

No dia da explosão, ela e o marido tinham acabado de sair. “Não fazia meia-hora, e eu não queria sair. Meu marido que insistiu e resolvi ir. A zeladora ligou dizendo da explosão e a gente largou tudo, quando chegamos já encontramos o cenário”, lembra.

+ Caçadores de Notícias: Gangue do Recalque faz a limpa em hidrantes no Centro de Curitiba

Moradora fala sobre sentimento de voltar ao prédio após explosão de apartamento. Foto: Gerson Klaina / Tribuna do Paraná
Moradora fala sobre sentimento de voltar ao prédio após explosão de apartamento. Foto: Gerson Klaina / Tribuna do Paraná

Ao ver seu apartamento de volta, Deonilda disse que ainda encontrou vestígios do que aconteceu, mesmo morando no primeiro andar. “Não imaginei que encontraria tanta coisa, sujeira, pó. Mas tudo bem. Hoje é dia de limpeza, de tocar para frente, porque foi ruim, mas poderia ter sido muito pior. Às vezes a noite eu deito e fico pensando o porquê e não tem o porquê”.

Revolta e comoção

Segundo Deonilda, que vive no residencial desde 2007, a sensação de voltar para a casa é muito complicada. “Porque a gente não sabe se fica feliz ou não, é estranho. Você está feliz de voltar, mas ao mesmo tempo não está feliz porque não é mais aquele teu lar alegre, aconteceu uma tragédia. Fico pensando no rapaz e na moça que moram aqui, a vida deles vai ter um antes e um depois”.

+ Leia também: Após fuga alucinada, suspeitos batem contra árvore e carro explode na Grande Curitiba

Para o dono de um imóvel do quinto andar, que também tem o apartamento desde 2007, voltar foi necessário, mas ao mesmo tempo a situação pede revolta. “Eu sou mais frio, mas minha esposa chorou muito ao entrar. Uma tragédia que não se esquece. O que aconteceu aqui foi incúria de uma empresa, que é assassina, matou um garoto e deixou mais de 60 pessoas desabrigadas”, desabafou Nelson Gonçalves.

Sexto andar bloqueado

Conforme o síndico, Agenor Zanatta, 20 dos 24 apartamentos foram liberados. “Os únicos que estão bloqueados estão no sexto andar, metade estão impedidos, mas por enquanto. Semana que vem a gente vai saber como vai estar a situação, mas aos poucos a vida vai voltando ao normal”.

O síndico contou que a luz e a água voltaram. “Só a questão do gás que estamos liberando conforme os moradores vão entrando. Temos um técnico que está junto com os moradores e vai avaliando cada situação e religando tudo. O importante é dizer que a estrutura não foi abalada”, explicou.

+ Atenção! Você está a um clique de ficar por dentro do que acontece em Curitiba e Região Metropolitana. Tudo sobre futebolentretenimentohoróscopo, blogs exclusivos e os Caçadores de Notícias, com histórias emocionantes e grandes reportagens. Vem com a gente!

Famílias retornando ao prédio palco de tragédia no Água Verde. Foto: Gerson Klaina / Tribuna do Paraná
Famílias retornando ao prédio palco de tragédia no Água Verde. Foto: Gerson Klaina / Tribuna do Paraná

Atualização das vítimas

Os três feridos na explosão estão em quartos e tiveram representativas melhoras. Conforme o Hospital Evangélico, além dos cuidados com os ferimentos, os três estão sendo medicados para evitar infecções.

Raquel Lamb, que foi ouvida nesta semana e disse que ligou o fogão antes da explosão, tem o estado de saúde mais delicado, mas estável e consegue respirar. Ela vai passar por um procedimento cirúrgico de enxerto na próxima segunda-feira (22).

O marido dela, Gabriel Araújo, que já estava num quarto desde os primeiros dias do ocorrido, fez a troca de curativos e pode alta semana que vem. Caio Santos, o aplicador que fazia a impermeabilização do sofá no momento do incêndio, está estável. Ele respira sem a ajuda de aparelho e tem previsão de alta na semana que vem.

Após sumiço de professora em colégio de Curitiba, alunos ‘desaparecem’ da sala de aula