Há quase seis meses, a pandemia do coronavírus mudou nossas relações pessoais. O isolamento social fez com que casais enfrentassem o desafio da convivência direta, 24 horas ao dia, com direito a home office, refeições juntas e divisão de tarefas domésticas. Mas e os solteiros? Para driblar a crise da falta do ‘cobertor de orelha’, os aplicativos de relacionamento têm sido a principal ferramenta de socialização e paquera na pandemia.

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Uma pesquisa feita entre os meses de maio e junho desse ano, pelo curso de Psicologia da FAE Centro Universitário e feita com 2.469 entrevistados de Curitiba, apontou que 88% dos solteiros já utilizaram ao menos uma vez algum aplicativo de relacionamento. O mais popular é o Tinder, preferido entre 97,8% dos participantes da pesquisa, em seguida do Happn e Badoo, com 43,8% e 19,3%, respectivamente.

De acordo com a pesquisa, quem utilizava o aplicativo antes da pandemia buscava fazer novos amigos, receber elogios e flertes, ter um relacionamento sério ou fazer sexo casual. Com o distanciamento social, os aplicativos tem sido também uma maneira de sair do tédio e apenas conversar.

Vai ficar só no virtual?

A pandemia e o isolamento social acabaram afetando os encontros fora dos aplicativos. A pesquisa mostrou que somente 12,2% das pessoas que se conheceram por aplicativo se encontraram pessoalmente durante a pandemia. Os usuários também disseram que suas relações mais profundas e significativas com os matches diminuíram com o distanciamento social.

O comportamento tem refletido nas interações sociais atuais, que tem sido cada vez mais digitais. Mais da metade dos entrevistados da pesquisa, 57,4%, disseram que sentem mais facilidade para flertar usando aplicativos de relacionamento que pessoalmente. E a interatividade é mais virtual entre os jovens com menos de 20 anos, que cresceram mais conectados. Esses representam 65,1% dos que sentem mais confortáveis em paquerar no meio virtual.

A diferença é ainda mais clara no recorte de orientação sexual. A facilidade do flerte por celular é apontada por 72% dos homossexuais, contra 58,1% dos bissexuais e 53,8% dos heterossexuais. A diferença nesse caso chama a atenção. A pesquisa conclui que o dado é reflexo de uma sociedade heteronormativa e patriarcal.

‘É o que tem pra hoje’

Os solteiros que utilizam aplicativos de relacionamento se dizem insatisfeitos com as ferramentas. A maioria dos entrevistados, 96,9%, já chegaram a desinstalar a ferramenta, mas apenas 5,6% comentaram ter deletado por ter conquistado o que gostariam.

Mesmo nada contentes, os solteiros que desistem do Tinder acabam voltando para o aplicativo tempos depois. A pesquisa revelou que 49% já desinstalaram a ferramenta de 2 a 5 vezes seguidas e 23,8% até já perderam a conta. O fator de instalar e desinstalar é unânime: o ato de dar likes acaba perdendo a graça.

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Preguiça, opiniões diferentes e mentiras

Além de toda situação atual de pandemia e isolamento social, o desânimo aparece como obstáculo na hora de marcar o primeiro encontro. Quem desiste do primeiro encontro aponta a preguiça como fator principal de desinteresse em conhecer o crush. Sem segundo lugar, 48% disseram que se sentiram incomodados com as opiniões e valores morais da outra pessoa. A mentira ficou em terceiro lugar, com 46,5%. Muitos acabaram descobrindo que a pessoa estava em outro relacionamento.

O medo de encontrar o crush também foi destaque na pesquisa. 44,6% disseram que tem medo de se encontrar com uma pessoa desconhecida, principalmente entre as mulheres (14,3%) do que para os homens (9,1%).

As respostas da pesquisa demonstrou que o uso das plataformas de relacionamento tem sido alternativa na quarentena. Porém, ainda é cedo dizer se os aplicativos continuarão como a principal forma de paquera no pós-pandemia, ou se vamos voltar ao flerte à moda antiga.