Os nove candidatos à prefeitura de Curitiba participaram nesta segunda-feira (22) do primeiro debate das eleições deste ano, promovido pela TV Bandeirantes. Em um debate morno, os candidatos não pouparam críticas à atual gestão do prefeito Gustavo Fruet (PDT), candidato à reeleição, mas evitaram o confronto direto com o pedetista.

No segundo bloco, o atual prefeito foi um dos últimos a entrar no debate, quando todas as opções já estavam praticamente esgotadas. Fruet só falou quando todos os demais candidatos já haviam feito perguntas e, pelas regras, cada um só pode perguntar uma vez. Ainda assim, o prefeito foi o último a responder as questões dos concorrentes no segundo bloco.

Quatro dos candidatos são colegas na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e preferiram fazer “tabelinhas” na hora de dirigir perguntas aos colegas. Assim, Maria Victoria (PP) perguntou a Ney Leprevost (PSD), que perguntou a Requião Filho (PMDB), por exemplo.

Os temas segurança, educação e transporte público foram os mais recorrentes do debate. No início do programa, a candidata do PSol, Xênia Melo, provocou os demais candidatos, dizendo ser a única a realmente usar o transporte público da cidade. Entre as propostas, porém, os candidatos foram vagos e centraram fogo nas críticas a Fruet. Entre as promessas recorrentes, falaram em reintegrar o transporte coletivo de Curitiba com a Região Metropolitana de Curitiba, de bilhete único e do enfrentamento da “máfia” do transporte coletivo.

Em relação à segurança, Leprevost e Maria Victoria prometeram aumentar o efetivo da Guarda Municipal, para ajudar a Polícia Militar no patrulhamento da cidade, o que já ocorre na prática. Dos mais de 177 mil atendimentos registrados pela Guarda desde 2009, 57% foram realizados fora de equipamentos urbanos. Ou seja, na rua. Em 1986, quando a Guarda foi criada, o principal objetivo dela era cuidar do patrimônio público municipal.

O candidato Rafael Greca (PMN) aproveitou todas as deixas para reivindicar a autoria de diversos projetos e obras da cidade. Ele tentou, inclusive, ficar com mérito de medalha no remo por um programa que fez como ministro na era FHC. Na época, o campeão Isaquias tinha 8 anos.

Ele também afirmou ter inaugurado o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) do Centro Cívico, onde a candidata do PSol, Xênia Mello, disse que seu filho estuda. A creche, porém, começou a operar em 1987 – e o prefeito, à época, era Roberto Requião (PMDB).

Lava Jato

Uma afirmação da candidata do PSol garantiu a quase todos os candidatos o direito de resposta no terceiro bloco do debate. Ela afirmou ser a única candidata que não tem o partido envolvido na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. O primeiro a usufruir o direito foi Ademar Pereira (Pros), que negou que o partido – segundo ele, novo – seja envolvido no escândalo.

Greca também negou ter envolvimento na Lava Jato e disse ter deixado o PMDB por se sentir constrangido em estar no mesmo partido do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. O deputado Ney Leprevost elogiou a operação e disse que a operação tornou Curitiba “o Centro Cívico do Brasil”.

“Sou ficha limpa, sou contra a corrupção e não há mais nada a ser dito sobre isso”, disse Maria Victória. Fruet também disse apoiar a Lava Jato. Ele afirmou que garantiu a transparência na gestão de Curitiba. “Mais importante do que a retórica, é a atitude”, disse o prefeito. Afonso Rangel afirmou que o Brasil foi dividido em duas eras: antes e depois de Sergio Moro.

Comunidade LGBT

A candidata Maria Victoria (PP) fugiu do assunto quando foi perguntada por Xênia Melo (PSol) quais são suas propostas para as comunidades negra e LGTB de Curitiba. Ela disse apenas que todos “têm o seu respeito”, e começou na falar de tecnologia. Ao ser cobrada por Xênia na réplica, a deputada estadual foi vaga novamente. “O meu respeito todos os seres humanos terão”, respondeu.

Alianças

O candidato Rafael Greca (PMN) foi criticado pelos demais pela aliança com o governador Beto Richa (PSDB). Leprevost foi o responsável por levantar o assunto, ao perguntar ao deputado estadual Requião Filho (PMDB) sobre sua opinião sobre a aliança.

Greca afirmou que não tem compromisso com o erro alheio e enfatizou o motivo de sua saída do PMDB. Segundo o ex-prefeito, ele se sentiu constrangido em estar no mesmo partido do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, envolvido em escândalos de corrupção. Requião Filho deu o troco. “Eu tenho a teimosia de querer mudar o PMDB”, disse Requião Filho.