Cerca de 500 motoristas de táxi de Curitiba aderiram à campanha Táxi Solidário, em vigor desde sexta-feira (18). Para protestar contra a regulamentação dos aplicativos de transporte, como Uber e Cabify, assinada mês passado pelo prefeito Rafael Greca (PMN), os taxistas estão oferecendo corridas coletivas a R$ 20 – dividido em quatro pessoas, sai por R$ 5 por passageiro, só um pouco mais caro do que a passagem de ônibus, de R$ 4,25.

Os trajetos das corridas coletivas são similares aos das linhas de ônibus. Cinco trechos estão disponíveis: Praça Rui Barbosa – Vila Sandra, Praça Generoso Marques – Terminal de Santa Felicidade, Praça Santos Andrade – Jardim Social e Tarumã, Praça Rui Barbosa – Terminal Centenário e Praça Generoso Marques – Orleans e São Brás.

A prefeitura afirma que a Urbs, que regula e fiscaliza a frota de táxi, está monitorando o protesto e pode aplicar sanções aos motoristas. A administração municipal diz que a regulamentação do serviço de táxi não permite que corridas tenham preço pré-determinado.

No entanto, de acordo com os taxistas, o protesto não está burlando regras. “A Urbs está fazendo uma ameaça velada, estão dizendo que vão reforçar a fiscalização, que a atitude é incompatível com a Lei do Táxi. A prefeitura diz que não podemos cobrar valor fixo e andar com o taxímetro desligado. Acontece que vamos andar com o taxímetro ligado, mas vamos cobrar menos”, afirma um taxista que aderiu ao Táxi Solidário e prefere não se identificar.

“Já que o Uber pode, por que os táxis, que são legalizados, não podem? A prefeitura quer afundar com o transporte de táxi, vamos afundar com o transporte coletivo”, comenta o taxista. De acordo com esse taxista, a ideia é convencer a prefeitura a chamar o táxi para a discussão do transporte público. “Do jeito que está, não dá. A concorrência é desleal. Nós queremos mostrar números que provam que a situação está se tornando insustentável”.

De acordo com o presidente da União dos Taxistas de Curitiba (UTC), a atual regulamentação do Uber e do Cabify também favorece o aparecimento de carros de transporte clandestino. “O que a gente quer é que a prefeitura revise esse decreto, que excluiu totalmente as necessidades dos taxistas e as consequências para o trânsito de Curitiba”, explicou, no final de semana, o presidente da entidade, Eduardo Fernandes.

A ideia, segundo os taxistas, é que a ação incentive uma conversa franca com a população. “Nós queremos que a população pague barato, mas tenha segurança, que os táxis participem dos estudos de mobilidade. Esse protesto quer chamar a população, a prefeitura e a cidade para um diálogo franco contra a concorrência desleal”, aponta um taxista.

Fiscalização

Em nota, a Urbs informou que continua monitorando a frota de táxi em Curitiba. Segundo o órgão, até por volta das 10h30, não foram encontradas irregularidades no transporte de passageiros. Uma fiscalização será feita para identificar se há irregularidade no transporte de passageiros.

Balanço

Às 20h30 desta segunda, os taxistas vão se reunir no estacionamento do Parque Barigui para fazer um balanço do protesto.

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