Alunos da Facese, antiga Faculdade de Tecnologia Machado de Assis (FAMA), localizada no bairro Santa Cândida, em Curitiba, reclamam de atrasos na entrega de documentos como certificados de conclusão de curso e diploma, e até de erros nas avaliações escolares. Os equívocos provocados pela instituição de ensino estariam prejudicando os estudantes profissionalmente.

Alguns dos estudantes, inclusive, já estão procurando a Justiça. A Faculdade confirma a existência dos problemas e promete corrigir as falhas até dezembro com todos os estudantes, mas até lá a insatisfação já se transformou em protesto.

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As numerosas reclamações criaram um clima de revolta por parte dos estudantes, especialmente pela ausência de respostas por parte da direção, que é indagada desde o começo de 2019. A falta de transparência, comunicação e até discussões em corredores transformaram em drama a rotina de estudantes que buscam uma especialização (e ainda pagam por isso). Com a não entrega da documentação após a conclusão do curso, os estudantes ficam impedidos de fazer uma pós-graduação e até mesmo de participar de concursos públicos ou processos seletivos.

Esta não é a primeira vez que a Tribuna do Paraná relata problemas com a Fama, atual Facese. Em 2019, alunos reclamaram da falta de informações e promessas não cumpridas na manutenção no preço da mensalidade e fechamento de cursos presenciais após o fechamento da FAMA.

Ketlyn Labres, 32 anos, concluiu o curso de Pedagogia em novembro de 2018 e ainda não recebeu o certificado de conclusão. Ao procurar a coordenação, em 2019, ouviu por várias vezes que o trabalho de conclusão de curso, o TCC, tinha sido perdido e que até as horas complementares estavam erradas.

“Eles nunca deram retorno das notas e depois falaram que TCC não estava sendo encontrado. Com todo este atraso, acabei jubilando e pior, perdi meu emprego. Trabalhava em um colégio e sem a documentação com meu histórico escolar não consegui continuar. Tive um prejuízo profissional e financeiro. Foi desumano e desrespeitoso demais”, comentou Ketlyn.

Érica, na esquerda, reclama da falta de orientação no TCC. Já Ketlyn, do lado direito, diz que a universidade perdeu seu TCC. Fotos: Lineu Filho.

Situação parecida de Érica Bastos Salesbram, 31 anos. Também aluna de Pedagogia, ela reclama da falta de correção do TCC e das horas realizadas no estágio obrigatório. “Eu fiz meus estágios em outubro, novembro e dezembro de 2018, e entreguei meu relatório dentro do prazo. Eu fiz quase 1000 horas complementares e dizem que só fiz 302. Recebi há poucos dias o meu histórico escolar com erros. Eles mudaram normas durante o ano e colocaram vários empecilhos para ajudar. Perdi oportunidades de trabalho e tempo de fazer minha especialização dentro da área”, desabafou Érica.

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Procon  

Revoltada com a postura da faculdade, Valmira Samerdak, 50 anos, procurou o Procon-PR para denunciar os erros praticados. “Emocionalmente me sinto trapaceada e enganada. Não fui respeitada como mãe de família e professora de História. Faltou ética com o ser humano e estou impedida de realizar novos desafios profissionais. Já procurei meu direito”, relatou Valmira.  

Valmira Samerdak teve que ir ao Procon-PR para denunciar os erros praticados pela instituição. Foto: Lineu Filho/Tribuna do Paraná.

E aí, Facese?  

Todos os problemas são confirmados pela direção da Facese, antiga FAMA. Os novos proprietários da Facese assumiram a gestão oficialmente em setembro de 2020 e estão no chamado período de transição. Luiz Gustavo Silva Pinto, um dos proprietários da Facese, não esconde que os problemas existem e que espera resolvê-los em até 60 dias.

“Estamos procurando os alunos e muitos já receberam a nossa comunicação. Eu tenho feito reuniões com o grupo anterior para fazer este levantamento e contratamos uma empresa que irá fazer a digitalização dos documentos. A vida acadêmica do aluno pertence a ele. Os alunos tiveram dificuldades com a antiga gestão, mas quero garantir que a história vai mudar. Estamos alterando o site e colocando mais canais de comunicação para ouvi-los. Estamos abertos e queremos demonstrar que os problemas serão saneados. Vamos ofertar para estes alunos outros cursos de maneira gratuita ou com preço de custo para eles”, comentou Luiz Gustavo.

A Tribuna do Paraná procurou os responsáveis pela Fama e o departamento jurídico relatou que as pendências com os alunos são de responsabilidade da Facese, atual administradora da instituição.