Se você vem se esforçando para economizar água pra ajudar neste momento difícil de estiagem e não notou muita diferença no valor da conta da Sanepar, saiba que você não está sozinho. Semana passada, a Tribuna contou como uma família de Curitiba conseguiu um desconto de 40% na tarifa de água economizando com medidas simples. Mas, embora muitos também tenham se esforçado da mesma forma, nem todos conseguiram notar diferença na conta de água. Por que isso acontece?

De acordo com o gerente comercial da Sanepar, Luiz Carlos Braz de Jesus, a tabela de tarifa da companhia não segue um padrão linear de desconto. “Na verdade, o próprio mecanismo da tabela busca incentivar o uso consciente de água. De 6 a 10 mil litros de consumo, a pessoa paga R$ 1,20 a cada mil litros. Na faixa entre 11 e 15 mil litros, o valor sobe para R$ 7 a cada mil litros. Quem consome menos, paga menos”, explica o gerente da Sanepar.

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Uma economia drástica, que faça a família mudar de faixa de consumo, causa mais impacto do que entre famílias que já consumiam menos e reduziram ainda mais o consumo agora. “Isso acontece em função das faixas de consumo. A tabela é definida pela agência reguladora”, esclarece Braz de Jesus. 

Mesmo que não se note queda significativa no valor final da conta, é importante continuar economizando. Afinal, o nível dos reservatórios que abastecem Curitiba e região metropolitana está perto de apenas 30%. Se a seca não der trégua e o consumo de água não baixar nos imóveis, a Sanepar terá de adotar um rodízio no abastecimento ainda mais severo que o atual, de 36 horas com água e 36 horas sem água. Por isso, desde março a Sanepar vem batendo na mesma tecla: se não diminuirmos o consumo em pelo menos 20%, vai faltar água pra tudo: cozinhar, lavar roupa, tomar banho e até mesmo beber. 

Ar no encanamento?

Quando o assunto é consumo de água no hidrômetro, um outro assunto tem sido bastante pertinente: ar na rede de abastecimento.

Bolsões de ar podem sim se formar nos encanamentos. Para isso, a Sanepar ressalta que tem feito manutenções periódicas. “A companhia tem que tomar todas as medidas de segurança para retirar o ar e evitar a contaminação na rede, já que esse ar pode levar sujeira à água”, explica o representante da Sanepar, que faz um alerta: a retirada do ar da tubulação deve ser feita exclusivamente pelos técnicos da companhia. “Eliminadores de ar instalados indevidamente nos hidrômetros, são proibidos, pelo risco de contaminar a água”, alerta o gerente comercial da Sanepar.

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Para evitar o ar no encanamento, a Sanepar tem utilizado ventosas nas redes de distribuição, que seguem critérios e normas técnicas, além de manutenções periódicas. “Às vezes as pessoas encontram um técnico da Sanepar fazendo o expurgo desse ar, para que não passe pelo hidrômetro das casas. Como nesse processo é preciso fazer uma pequena retirada de água, tem gente que acha que o técnico está desperdiçando. Mas é um procedimento técnico”, explica.

A retirada de ar é essencial para que a Sanepar possa fazer o abastecimento de forma adequada. Retirar esse ar da rede de abastecimento, se não for feito por um técnico especializado, pode trazer contaminação. “Tem pessoas que fazem isso por conta própria. Quando isso acontece, fazemos uma notificação e o aparelho eliminador de ar é retirado. Não é muito corriqueiro, mas acontece”, esclarece.

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O importante é ao notar falta de água no encanamento fora do período de rodízio ligar direto para a Sanepar, que vai verificar o que está acontecendo. “Pode ser um caso de água no encanamento, mas também pode ser um vazamento na rede. Por isso é importante avisar a Sanepar. A gente precisa desse apoio da população: economia e colaboração ao notar qualquer falha no abastecimento”, reforça.

Para esclarecer qualquer tipo de problema no abastecimento, a Sanepar atende pelos telefones (41) 3330-3000, e 0800 200 0115.