O secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto, se reuniu nesta quarta-feira (4) com representantes da Prefeitura de Curitiba e de hospitais de referência da capital para tratar sobre a grave crise que atinge o sistema público de saúde local. O objetivo foi propor ações conjuntas para reorganizar a estrutura de atendimento e solucionar o problema de subfinanciamento das unidades.

“Estamos nos colocando à disposição da prefeitura para ajudar neste momento crítico. Os curitibanos não podem pagar pelos erros cometidos pela gestão anterior, que atrasou o pagamento dos hospitais e deixou a conta para a nova administração”, disse o secretário, durante o primeiro encontro do comitê gestor para assuntos sobre hospitais de Curitiba.

Este atraso no pagamento da produção hospitalar tem prejudicado mais de 10 hospitais da capital. São pelo menos R$ 26,5 milhões que deveriam ter sido repassados pela gestão anterior da prefeitura e até agora não chegaram às instituições de saúde.

“Entramos com uma representação junto ao Ministério Público para que fosse apurado o motivo deste atraso. A informação que temos é que este recurso já estava na conta da prefeitura desde o dia 23 de dezembro e não foi transferido aos hospitais”, explicou Caputo Neto.

Em hospitais filantrópicos, como o Cajuru, Evangélico, Pequeno Príncipe e Santa Casa, a falta deste recurso compromete o pagamento da folha salarial, além de outros compromissos com fornecedores e prestadores de serviços. “Dependemos deste repasse para manter o hospital em funcionamento”, enfatizou o interventor do Hospital Evangélico de Curitiba, Carlos Miguez da Senna Motta.

De acordo com o novo secretário de Saúde de Curitiba, João Carlos Baracho, a atual administração da prefeitura está concentrando todos os esforços para quitar a pendência com os hospitais até segunda-feira (9). Ele afirma que isso só será possível porque a secretaria conseguiu rastrear o destino do recurso, que sofreu desvio de finalidade na gestão anterior.

Baracho também assegurou que todo o processo será tratado com transparência. “A situação que encontramos é estarrecedora. A partir de agora, vamos iniciar um novo momento na área da saúde, priorizando o diálogo com o Estado e os hospitais. Prova disso é a criação deste comitê, que servirá para debater questões importantes sobre nossa rede de retaguarda”, declarou.

O presidente da Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Paraná, Flaviano Feu Ventorim, avalia que a situação é difícil, mas as perspectivas são boas para os hospitais. “Este espaço será essencial para apresentarmos as nossas demandas. Além dos pagamentos em dia, queremos discutir uma nova política de investimento por parte da prefeitura e maior participação no processo de regulação dos leitos”, afirmou.