A constante falta no fornecimento de água em alguns pontos de comércio no Batel tem gerado muitas reclamações na Sanepar. O principal problema se concentra na Rua Alferes Ângelo Sampaio, entre as avenidas Sete de Setembro e Silva Jardim. Desde o começo do ano, o relato é de que falta água em pelo menos dois dias da semana.

Administrar os estabelecimentos tem exigido táticas de guerrilha, como racionamento constante e armazenagem estratégica da água. Os empresários já perderam as contas de quantas vezes ligaram para a Sanepar. Nesta quinta-feira (29), pelo menos dois estabelecimentos abriram novos protocolos.

Em um bar e restaurante do local, lavar a louça exige mais do que paciência. O dono, Darlei Fernandes, 38 anos, tem usado um latão plástico para ter uma reserva e poder trabalhar. Há também uma caixa d’água extra. O estabelecimento funciona ali há 18 anos. “Sempre foi assim. Parece improvável para uma área no Batel. Mas o problema já vem desde a época do meu pai, que fez obras e instalou uma caixa d’água extra. Para se ter ideia, sou eu que acabo ajudando os vizinhos. Quando falta água, eles vêm se abastecer comigo”, conta Fernandes.

Ainda de acordo com Fernandes, as reclamações com a Sanepar têm se intensificado nos últimos dois meses, quando a frequência de falta de água aumentou. “Antigamente, a gente reclamava e os técnicos vinham fazer reparos. Agora, a empresa informa que está fazendo trocas de tubulação na região. O problema aumentou”, disse.

Administrar os estabelecimentos tem exigido táticas de guerrilha, como racionamento constante e armazenagem estratégica da água. Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná
Administrar os estabelecimentos tem exigido táticas de guerrilha, como racionamento constante e armazenagem estratégica da água. Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná

Rodrigo Rigoni, 35 anos, que nesta semana está administrando o mercadinho e bistrô da família, também reclama das obras. “Já taparam os buracos. Mas pelo menos três vezes por semana falta água. Liguei hoje e disseram que iam mandar o técnico. A gente se vira como pode, enche balde, usa galão de água mineral. Se dependesse da Sanepar, o comércio não funcionaria”, diz.

A moradora de um sobrado, Albanete Fonseca, 70 anos, disse que passou os quatro últimos dias tomando banho de caneca, com água mineral. “De manhã e de noite. Minha filha ainda conseguia tomar banho à noite na academia. E olha que a minha caixa d’água tem 500 litros. Isso nunca tinha acontecido comigo, de ficar completamente sem água. Se for para olhar o número de reclamações que fazemos para a Sanepar, com certeza vai assustar as pessoas. Hoje, inclusive, mandei e-mail reclamando na ouvidoria”, relatou.

Na barbearia que existe ali, mesma coisa. Guilherme Garcia, 38 anos, disse que o seu negócio tem sido prejudicado. “Tivemos que dispensar clientes nos últimos dias. Outros saíram sem o serviço de lavagem de cabelos. Liguei na Sanepar. No sistema da empresa informaram que estava tudo normalizado. Só que não está. Nós queremos pelo menos uma reposta, uma explicação do que está ocorrendo”, reclamou.

A reportagem constatou a presença de obras na região. Também pode observar o zelador de um prédio próximo regando o jardim com esguicho. “É brincadeira que façam isso”, desabafou um dos comerciantes.

Sanepar

Questionada, a Sanepar afirmou que realiza uma pesquisa para identificar as causas do problema relatado além de indicar que as reclamações não são frequentes.

Confira o texto na íntegra:

A Sanepar está fazendo pesquisa de vazamento na região da Rua Ângela Sampaio para identificar a causa de falta de água em alguns imóveis porque não há vazamento aparente.

Para esta investigação, está sendo feito geofonamento inclusive durante a madrugada. A Sanepar vai intensificar essa busca até localizar algum ponto de vazamento;

Mas, até o momento, foram registradas apenas 3 reclamações de falta d´água na região, o que pode indicar baixa reservação desses imóveis.

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