A família da copeira Rosária Miranda da Silva organiza um protesto para esta sexta-feira (8), às 16 horas, com pedidos de justiça e celeridade processual. Rosária morreu no dia 23 de dezembro de 2016, dias depois de ter sido atingida por um tiro na cabeça em uma confraternização de fim de ano. Uma investigadora da Polícia Civil é acusada de ter feito o disparo em direção à festa . O crime ocorreu nos fundos de um lava jato, no Centro Cívico, em Curitiba. A concentração do protesto será em frente ao local do crime, na Rua Mateus Leme, ao lado do Banco Itaú.

O advogado da família, Ygor Salmen, afirma que o protesto é para relembrar o ocorrido, que completa um ano no próximo dia 23, sem uma decisão definitiva da Justiça. A ré, a policial civil Kátia dos Santos Belo, estaria irritada o com o burburinho da festa. Segundo Salmen, o protesto será realizado nesta sexta e não no dia 23 porque, no dia 20 de dezembro, o Tribunal de Justiça do Paraná entra em recesso.

Ainda de acordo o advogado, a policial civil foi pronunciada e iria a júri. No entanto, a defesa recorreu da decisão e até agora não há perspectiva de julgamento deste recurso. “Nós queremos que sejam mantidas as três qualificadoras do crime que foram retiradas pelo juiz”, destaca. São elas: homicídio por motivo fútil, que empregou perigo ao meio comum e impossibilidade de defesa à vítima.

Por outro lado, o advogado de Kátia, Peter Amaro de Sousa, afirma que a defesa trabalha para que o crime seja considerado culposo, quando não se tem a intenção de matar. “Foi uma fatalidade”, argumenta. Ao mesmo tempo, Sousa não assume que o tiro que matou Rosária tenha partido da arma da policial. “O local do crime foi verificado e o projétil não foi encontrado”, pontua o advogado.

A ação foi registrada por uma câmera de segurança. Foto: Reprodução.
A ação foi registrada por uma câmera de segurança. Foto: Reprodução.

A defesa diz ainda que as armas utilizadas pela Polícia Civil têm apresentado falhas. “Se por acaso entenderem que o projétil partiu da pistola de Kátia, nós defenderemos que pode ter ocorrido uma falha no armamento.”

No dia 14 de dezembro, o Tribunal de Justiça do Paraná vai julgar se o pedido de prisão feito pelos assistentes de acusação é válido ou não. Caso o pedido seja negado, a acusação irá aguardar um novo posicionamento do Ministério Público.

Enquanto isso, a policial civil Kátia dos Santos Belo segue em liberdade. A denunciada trabalhava no Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria) e assumiu posições administrativas sem direito a porte de arma.

De acordo com o advogado de Kátia, ela nunca passou por uma avaliação psicológica antes de portar uma arma. “Nem ela, nem nenhum outro policial civil”, afirmou.

“Nós não conseguimos dormir”

“Enquanto a Justiça dorme, nós não conseguimos dormir”, é o que afirma o eletricista Francisco Feliciano Leite, esposo da copeira morta há quase um ano. Apesar de na Justiça as coisas não terem caminhado da forma como esperava, na vida de Francisco muita coisa mudou.

Ele e a esposa iam começar a construir uma casa de alvenaria para morar os dois e o filho, João Vitor, de 16 anos, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. Este era o sonho de Rosária, que viveu por muitos anos numa casa simples de madeira. Hoje, Francisco e João Vitor moram de favor no bairro Abranches, na casa da tia do menino. O garoto começou a trabalhar para ajudar nas despesas de casa.

“Meu filho tinha sonho de ser policial, hoje não quer mais”, pontua o eletricista. “Eu não queria que ele começasse a trabalhar tão cedo, queria que ele estudasse, mas infelizmente não deu”, lamenta Francisco. João Vitor trabalha numa empresa metalúrgica, estuda à noite e passa por tratamento psicológico.

O que Francisco e a família desejam é a prisão da policial civil Kátia dos Santos Belo, acusada de disparar o tiro que matou Rosária. “Nós esperamos por justiça. Estou me sentindo impotente com relação a tudo isso”, lamenta o eletricista. “Eu sou a testemunha viva do crime. Eu e meu filho vimos quando minha mulher caiu. Ela já estava se despedindo para vir embora”, relembra. “Todos os dias são de muita angústia. A Justiça é falha e demorada, mas nós não vamos desistir até ver essa mulher presa”.