“É um teste, mas torcemos para que no próximo domingo, estejamos aqui também”, assim define a maioria dos feirantes ouvidos pela Tribuna do Paraná na mais tradicional feirinha de Curitiba. Neste domingo (24), a Feira de Artesanato do Largo da Ordem foi liberada para funcionar, de maneira excepcional, e mesmo com uma chuvinha as pessoas apareceram. Mas a esperança dos feirantes é de que, nos próximos domingos, a decisão se repita.

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Caminhando pela feirinha, a equipe da Tribuna encontrou um bom controle do distanciamento entre as pessoas e as barracas, além do respeito às orientações já tão faladas como uso de máscara e o álcool em gel. “Sinceramente, o movimento do sábado não chega nem na metade do que sempre acontece aos domingos. Faz parte da tradição curitibana. Comparo até com o frango assado: não costumamos comer em outro dia da semana, que não no domingo”, comentou o feirante Aluísio de Paula.

Trabalhando na feira do Largo da Ordem desde 2007, o comerciante reforçou que muita gente depende exatamente que haja um maior movimento para ter sustento em casa. “Sem contar a necessidade, quando estamos aqui, a gente se sente realizado. É aquela coisa da rotina mesmo. Não ter a feira aos domingos abriu um buraco gigante para muitas pessoas. Sábado não fecha a conta, nem se compara. Feira do Largo é no domingo, há 50 anos isso está na cabeça das pessoas”, disse Aluísio.

Foto: Atila Alberti/Tribuna do Paraná.

Esperança para o domingo que vem!

Para a feirante Rosana Cavichiolo, que tem 56 anos e que participa da Feira do Largo da Ordem há dois anos, poder expor seu trabalho neste domingo foi o sopro de esperança que precisava. “Sem dúvida alguma. Nós comentamos que temos vivido um dia após o outro. Temos o sábado, que tem sido fixo, mas como a tradição é o domingo, é incrível perceber a diferença de movimento”.

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Comparando com os anos anteriores, sem a pandemia, a venda de Rosana caiu pela metade. “A gente procura outras alternativas, temos vendido pela internet, mas a feirinha é muito tradicional. Estamos realmente vivendo uma semana por vez, para o próximo domingo temos a expectativa, porque sabemos que a secretaria está trabalhando pela gente, então, a gente tem a esperança de que semana que vem possamos estar aqui de volta”, comentou, esperançosa, a feirante.

Começando 9h e funcionando até às 14h, a orientação aos feirantes era de equilibrar os espaços entre as barracas e manter, ao máximo, o distanciamento, orientando também os clientes e turistas. E isso tem sido feito. “Dá até uma emoção no coração de ver a feira funcionando no domingo. Emoção porque sabemos o quanto isso aqui é importante para os feirantes. Mantendo tudo certinho como está hoje, não tem motivo para voltar a fechar”, defendeu Jussara do Rosário, moradora da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), que frequenta a feira há anos.

“Um domingo após o outro”, comentou Rosana. Foto: Atila Alberti/Tribuna do Paraná.

Até o pastel foi afetado

Com a pandemia, até a parte mais tradicional da feira, o pastel, sofreu. Ronaldo Cavichiolo, que conhece o Largo da Ordem com a palma de suas mãos, pois já completa 31 anos de feira, disse que a situação foi triste. “Caiu muito o movimento. Agora estamos vendendo em torno de 30%, mas no ano passado, que quase nem trabalhamos, foi muito difícil. Aos poucos a gente vai se restabelecendo”.

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Segundo o feirante, o distanciamento é a parte mais importante para manter a feira aos domingos. “Sábado nem se compara com o domingo, porque o domingo a venda é muito maior. O que nós precisamos é continuar mantendo todos os cuidados necessários, a gente cuida da gente e cuida dos fregueses, porque realmente fica difícil a gente sem a feira. Nós precisamos”.

Ronaldo contou que muitos feirantes passaram e ainda estão passando por dificuldade por causa da situação. “É o ganha pão das pessoas, né? Até doação os feirantes se uniram para conseguir para alguns trabalhadores que ficaram numa situação mais complicada. Muita gente realmente tem sofrido muito. Então, estar aqui neste domingo já é uma esperança de que nos próximos nós também possamos estar. Tem tudo para dar certo, porque ajuda muito a todos nós”.

“Movimento do pastel caiu, mas temos esperança”, disse Ronaldo. Foto: Atila Alberti/Tribuna do Paraná.

Vai ter feira?

A esperança dos feirantes não é atoa. Isso porque há, sim, a possibilidade de que, aos poucos, a Feira do Largo da Ordem volte ao seu dia tradicional. A coordenadora das Feiras de Artesanato, Tangrian Cunico Santos, explicou que a permanência do funcionamento aos domingos das feiras vai ser analisada semanalmente, junto à Comissão de Saúde. A feira continua funcionando com 50% da capacidade, não excedendo 600 barracas aos domingos e 200 aos sábados.

A assessora especial do prefeito, Cibele Fernandes Dias, que participou da reunião que definiu pelo funcionamento da feira neste domingo, reforçou a importância em manter o cuidado e precaução de resguardar a saúde pública. “A bandeira laranja segue até o dia 27 de janeiro, ouvindo os pedidos dos artesãos e outras categorias, nós entendemos que já temos segurança para liberar algumas atividades a céu aberto”, disse.