Milhares de pessoas se reuniram nas ruas próximas à Polícia Federal, no Santa Cândida, e na Praça Santos Andrade, no centro de Curitiba, nesta terça-feira (1ª), Dia do Trabalho. Pelo menos 30 ônibus vieram de várias regiões do país, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais e se juntaram aos curitibanos na celebração. Esta foi a primeira vez que as principais centrais sindicais brasileiras – CUT, Força Sindical, CTB, NSCT, UGT, CSB e Intersindical – fizeram um ato unificado desde a redemocratização do país, em 1985, graças à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encarcerado na capital paranaense.

Pela manhã, uma multidão seguiu em passeata do acampamento onde aconteceu o ataque a tiros no último sábado, na Rua Padre João Wislinski, até o local em que estão as tendas da vigília, na Rua Guilherme Matter.

Nas ruas do entorno da PF, vários atos foram feitos desde o momento em que as pessoas chegaram depois da passeata. Em apoio a Lula, alguns representantes partidários falaram e expressaram sua indignação com o fato de ele ainda estar preso. Senadores, como os petistas Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias, Jandira Feghali e Vanessa Graziotin, do PCdoB, além dos pré-candidatos à presidência Manuela D’Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL), discursaram em frente à sede da Polícia Federal.

Ao longo da tarde, um evento ocorreu na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, para onde os militantes seguiram de vários cantos da cidade. Os atos deste Primeiro de Maio serviram somente para comemorar o Dia do Trabalhador, mas também como forma de manifestação para pedir pela libertação do ex-presidente Lula.

Ato no entorno da sede da Polícia Federal no Dia do Trabalho. Foto: Felipe Rosa
Ato no entorno da sede da Polícia Federal no Dia do Trabalho. Foto: Felipe Rosa

Entre discursos e apresentações musicais, como da cantora Beth Carvalho, o tema central seguiu sendo a prisão do ex-presidente. As falas variavam entre críticas à reforma trabalhista, ao governo de Michel Temer (PMDB), pedidos de liberdade para Lula, críticas à Lava Jato e cobranças sobre a morte da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL). Gleisi encerrou o ato lendo uma carta de Lula, em que ele faz elogios às próprias conquistas sociais e econômicas.

Segundo a Polícia Militar (PM), os atos da manhã contaram com a presença de cerca de duas mil pessoas, enquanto o encontro na praça levou cinco mil manifestantes ao local. Já a organização do ato estima que se reuniram mais de cinco mil pessoas  desde o começo da manhã.

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