Um dia depois do Dia do Trabalho, uma fila com cerca de 300 desempregados dobra a esquina, na manhã desta terça-feira (2), no Centro de Curitiba. A aglomeração, nas proximidades de uma empresa de recursos humanos, teve início às 6h30, no meio da quadra da rua Lourenço Pinto, ao lado da Câmara Municipal, e segue longe pela Avenida Visconde de Guarapuava. Por volta das 9 horas, agentes da Secretaria Municipal de Trânsito (Setran) tiveram de intervir para organizar a fila e evitar que os candidatos ocupassem a rua.

Segundo a Sé Recursos Humanos, empresa que está oferecendo as vagas, a expectativa é de que cerca 700 pessoas passem pelo local ao longo do dia. Os candidatos concorrem a 100 vagas em setores operacionais de empresas na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

De acordo com Jussara Portela, gestora da empresa de RH, cerca de 15 pessoas já começavam a formar a fila no início da manhã. Quando o atendimento começou, às 8 horas, houve um princípio de tumulto com candidatos que tentaram passar na frente de outros. A situação, no entanto, foi controlada.

A gestora explica que é comum que um volume grande de pessoas compareça na empresa entre segunda e quarta-feira, em busca de recolocação no mercado de trabalho. Mas, ao longo de todo o dia, o número de desempregados não costuma passar de 300. “Dessa vez estamos com essa quantidade logo pela manhã”, observa.

“O único critério inicial para essas pessoas passarem por entrevistas é o local de moradia. Residindo em Pinhais ou Colombo, todas passarão por entrevistas ao longo do dia. Basta ter a paciência de esperar”, esclarece a gestora.

Fora dos critérios

Desempregada há dois meses, a curitibana Michele Marques esperou das 7h às 8h20 na fila, e acabou não conseguindo uma entrevista. “Uma amiga minha viu a vaga na internet e me encaminhou, mas eu não sabia que era pra moradores de Pinhais e Colombo”, conta Michele, eliminada na seleção por morar em São José dos Pinhais.

Apesar do grande número de candidatos, a dificuldade encontrada para preencher as vagas é grande. De cada 10 candidatos, apenas um costuma se enquadrar nos critérios de seleção das empresas. “Tem muitas pessoas superqualificadas, que acabamos não pegando porque podem desistir do emprego rapidamente. Por outro lado, temos muitos candidatos sem ensino médio completo e com pouca estabilidade nos empregos anteriores”, considera a gestora da empresa de RH.

Segundo Jussara, o principal requisito é não ter histórico de instabilidade (pouco tempo de empresa) nos empregos anteriores. Na Sé Recursos Humanos, o número de vagas ofertadas têm aumentado desde o início de abril, mas ainda não chega perto de atender a demanda de desempregados.