Passear ou fazer atividades físicas mudou nos parques desde que a pandemia de coronavírus chegou a Curitiba. Máscara, álcool gel e distância social deveria ser obrigação de todos os frequentadores para evitar o contágio da covid-19. Mesmo assim, muitos usuários reclamam da falta de cuidado de muitos frequentadores. Vale lembrar que, segundo o secretário estadual de Saúde do Paraná, Beto Preto, mais da metade das mortes no estado por covid-19 poderiam ter sido evitadas se mais de metade da população cumprisse o isolamento social, ou seja, ficasse em casa.

A reportagem da Tribuna foi ao Parque Barigui na manhã deste sábado (12) de muito calor na capital, onde os termômetros ficaram acima dos 30°C, e infelizmente viu muita gente descumprindo as normas sanitárias, principalmente em relação ao uso de máscara.

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Sabendo do calor e dos riscos, o prefeito Rafael Greca chegou a postar em suas mídias sociais para que os curitibanos tomem cuidado nos parques. “Aproveite o fim de semana com consciência coletiva e coerência sanitária. Mantenha o distanciamento social, não se aglomere! Não há proibição para se exercitar ou caminhar ao sol, faça com responsabilidade. Use a máscara e siga todas as medidas de prevenção da Covid-19”, apelou o prefeito.

Na manhã deste sábado, o primeiro primeiro fim de semana do retorno da bandeira laranja em Curitiba, o Barigui até não estava cheio. Porém, muita gente estava sem máscara. O instalador de fibra ótica Luciano Muchinski, 46 anos, costuma correr no parque a cada 15 dias para manter a forma. E faz questão de manter a máscara no rosto a todo instante.

Luciano Muchinski, tem até coleção de máscaras pra ir ao parque. Foto: Gerson klaina / Tribuna do Paraná

“Fico triste quando vejo gente desprotegida. Muitas pessoas não usam máscara no parque, o que é falta de respeito ao próximo, porque ficamos expostos. Eu mesmo tenho mais de 20 máscaras e já virou uma peça normal para vestir”, relata Luciano.

A publicitária Jussara Fonseca, 34 anos, também reclama do pessoal que não usa máscara. “No parque, percebi que muitos estão sem máscara e evito os lugares que tem muita gente. Estou me protegendo com a máscara e com o exercício físico que também aumenta a minha imunidade”, completa a publicitária que após correr no parque apreciou um copão de água de coco. “Neste calor, é muito importante hidratar e descansar um pouco”, reforça.

Ambulantes

Como lembrou Jussara, além do uso da máscara e de evitar aglomeração para se previnir da covid-19, as pessoas devem se hidratar a todo momento com o calor. Portanto, dá-lhe água, caldo de cana, água de coco e o sorvete seja no Barigui ou nos outros parques.

Jussara Fonseca não descuida da saúde no parque: máscara e hidratação. Foto: Gerson Klaina / Tribuna do Paraná

Os comerciantes ambulantes comemoram o tempo quente e o retorno gradativo das pessoas nas áreas de lazer, que permite recuperar um pouco o prejuízo causado pela pandemia. Rosildo Dantas, 46 anos, é proprietário de uma barraca de caldo de cana e coco no Barigui. Antes da pandemia, chegava a vender 720 copos de caldo de cana eu um dia quente. Agora, em dias como este sábado de calor, não vende nem metade disso.

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“Em um dia como hoje, chego a vender 240 copos de caldo de cana, que não é nem metade de antes da pandemia. Mas está melhorando aos poucos”, compara Rosildo, que ficou com estoque parado por causa do baixo movimento no Barigui.

Para se adequar às normas sanitárias, a barraca de Rosildo é isolada por correntes de plástico, que mantêm o distanciamentos social. Apesar da distância dos clientes, o atendimento é sem grandes sustos e ainda permite aquele tradicional “chorinho” no caldo de cana. “

Ambulante Rosildo Dantas instalou correntes pra manter o distanciamento social dos clientes e evitar a covid-19. Foto: Gerson Klaina / Tribuna do Paraná

“Vou permanecer com a corrente para as pessoas não ficarem muito perto da gente. Disponibilizamos álcool gel para todos e percebemos que esta mudança veio para ficar’, afirma o ambulante que está ha 25 anos no Barigui.

Calor e crise hídrica

O calorão deste fim de semana preocupa não só as autoridades de saúde, pelo risco de aglomerações, como também a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). Afinal, o tempo quente aumenta o consumo de água.

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Os reservatórios de Curitiba e região metropolitana estão com apenas 33% da capacidade. Se não chover e o consumo de cada pessoa não baixar em 20%, a Sanepar já estuda um rodízio mais duro no abastecimento de água, que hoje é de um dia e meio com fornecimento e um dia e meio dia de corte. Estimativa da companhia é de que assim que os reservatórios chegarem a apenas 25% de sua capacidade, a medida mais severa terá de ser tomada.

Dessa forma, gerente de produção de água da Sanepar, Fábio Basso, reforça para o uso racional da água.“Por isso a gente tem batido sempre na mesma tecla, que é o de fazer esse apelo da importância do uso econômico nesse momento”, comentou Basso. Portanto, beba água, mas não a use para lavar o carro, calçada e cometer outras formas de desperdício.

#CuritibaContraVírusAproveite o fim de semana com consciência coletiva e coerência sanitária. Mantenha o distanciamento…

Posted by Rafael Greca de Macedo on Saturday, September 12, 2020