É só o frio chegar para o comércio de Curitiba se remodelar. O “inverno fora de época” fez explodir a venda de roupas de frio na capital paranaense. As promoções de verão, com chinelos, bermudas e camisetas, dão lugar aos moletons e jaquetas, além de guarda-chuva. Nesta Quarta-Feira de Cinzas (14), o termômetro marcou mínima de 14ºC e máxima de 20ºC, a menor temperatura entre as capitais de todo o país.

Quem passou pela região central conseguiu perceber a repaginação das vitrines. As mudanças são feitas logo na hora que as lojas abrem, na tentativa de chamar a atenção das pessoas. “Tem que trocar porque chama gente. É só cair a temperatura e a galera procura agasalhos, moletom, calça. Desde que a gente abriu hoje, só vendemos moletom. Se amanhã tiver calor, daí é regata. É sempre assim. Choveu e fez frio, agasalho. Esquentou, regata e bermuda”, explica o vendedor Marcio Henrique Conde.

A mudança no clima não é problema para as vendas, pelo menos para quem vende roupas. De acordo com Lilian Castro, a localização da loja ainda pode ajudar, já que é um ponto de chegada para os turistas que vão às compras para aguentar o frio curitibano.“O frio e a chuva não atrapalham. O pessoal sempre olha e dá uma passada. Recebo muitos turistas, então o pessoal sempre procura agasalho porque não é acostumado”, afirma ela.

É o caso de Simon Missag. O médico, de 29 anos, vai se mudar do calor de 40ºC de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, para Curitiba, e estava à procura de um apartamento na capital paranaense. Além de moradia, ele procurava roupas para se adaptar ao novo endereço, fato que lhe agrada. “Particularmente, eu estava procurando sair do calor e vir para o frio. Eu gosto dessa temperatura, acho ideal para fazer as coisas do dia a dia. O que eu achei mais estranho é o frio supetão em Curitiba, como acordar já com frio. Quem é de Curitiba acha mais estranho o calor de 39ºC que a gente tem em Campo Grande do que um campo-grandense passando 15ºC em Curitiba”, compara.

Segundo ele, o principal cuidado é com o vestuário. Com um filho de um ano de idade, existe a apreensão da procura por agasalhos, além de encontrar um apartamento que tenha algum tipo de aquecimento. “Acaba sendo uma preocupação a questão de roupa, até porque acho que criança vai sofrer mais. A diferença é que não usamos tanto agasalho. O que altera no apartamento é que todos têm ar-condicionado em Campo Grande. Aqui, quase nenhum tem por causa do frio. Então procuramos um que tenha calefação para conseguir aguentar essas temperaturas mais amenas” revela.

Alimentação

Se o frio é bom para as lojas de roupas, quem trabalha com alimentação não fica tão feliz. Ainda mais para os estabelecimentos do Centro, onde as pessoas dão uma pausa no expediente para tomar um sorvete, um café ou até mesmo comer um salgado.

“O movimento está menor, devido também ao feriado prolongado. O frio e a chuva atrapalham por causa dos pedestres. Quem vem para passear ou caminhar na rua acaba não vindo. Então diminui sim, principalmente com a chuva”, revela Lairton dos Santos, dono de um café na Rua XV de Novembro.

Entretanto, o comerciante conta que há um lado positivo no clima mais instável: a fome. Segundo ele, quem para e vê as opções, acaba pedindo mais produtos no frio do que no calor. “O consumo das pessoas crescem. A venda de café, chocolate quente e a parte doces cresce mais e o pessoal sente mais fome”, afirma.

Já em uma rede de fast food no calçadão da XV, a venda de sorvetes seguia em alta, mesmo com o frio. Segundo a atendente, muitos curitibanos gostam de apreciar uma casquinha ainda que as temperaturas estejam mais amenas.