Se você parar de fumar, não é só a saúde do corpo que agradece, mas a financeira também. Vamos às contas: uma carteira de cigarros custa entre R$ 8 e R$ 10. Se a pessoa fuma um maço por dia, gasta entre R$ 240 e 300 ao mês. Considerando o valor menor, se colocado na poupança, rende ao longo de 30 anos R$ R$ 1.028.274,92. Ao final de 10 anos, são R$ 63.291,18 e ao final de 20 anos, outros R$ 293.901,45.

6 dicas para você parar de fumar. Veja!

As contas são do doutor em educação financeira e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos. Mas nelas não estão inclusos os gastos que o fumante deverá ter nesse período por causa dos problemas de saúde ocasionados pelo cigarro e narguilé, incluindo a perda de rendimento no trabalho em função do cansaço que o vício proporciona.

Prejuízo do cigarro é bilionário

Conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil tem prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões com o tabagismo. Desse total, R$ 39,4 bilhões são gastos com despesas médicas e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos ligados à perda de produtividade, causada por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura.

A arrecadação de impostos com a venda de cigarros no país é de R$ 12,9 bilhões, o que gera saldo negativo de R$ 44 bilhões por ano, revela o estudo “Tabagismo no Brasil: Morte, Doença e Política de Preços e Esforços”, feito com base em dados de 2015.

Campeã nacional de fumantes

Entre as capitais brasileiras, Curitiba tem a maior proporção de fumantes (14%), seguida de Porto Alegre (13,6%) e São Paulo (13,2%). A menor prevalência é em Salvador, com 5,1% de fumantes. Os dados são da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2016).

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), em 2015, morreram no país 256.216 pessoas por causas relacionadas ao tabaco, o que representa 12,6% dos óbitos de pessoas com mais de 35 anos. O fumo passivo foi a causa de morte de 17.972 pessoas. No mundo, seis milhões de pessoas morrem por causa do tabagismo.

A Vigitel 2016 ainda apontou que, de 2006 a 2016, a prevalência de fumantes na população caiu de 15,7% para 10,2%. Homens fumam mais do que mulheres em todas as faixas de escolaridade, indo de 17,5% para homens e 11,5% para mulheres com até oito anos de estudo e caindo para 9,1% dos homens e 5,1% das mulheres com mais de 12 anos de estudo.

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Por faixa etária, a prevalência é 7,4% entre jovens com menos de 25 anos e 7,7% entre idosos com mais de 65. A faixa com mais fumantes, 13,5%, é a de adultos entre 55 e 64 anos.

Primeiros passos para parar de fumar

– Estar motivado a sair do vício. Não adianta a família mobilizar médicos e/ou investir se o paciente não estiver realmente determinado a parar de fumar;

– Diminuir gradativamente o número de cigarros;

– Evitar carregar o maço ou a carteira de cigarro;

– Evitar deixar cinzeiros em casa;

– Evitar qualquer substância que possa estimular o fumo, tais como café e bebida alcoólica;

– Durante a motivação, falar para as pessoas próximas que está tentando parar de fumar, afim de ajudar no policiamento e no controle.

Onde procurar ajuda?

A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba tem um programa de auxílio a quem quer sair do tabagismo. Primeiro, é preciso ir à Unidade Básica de Saúde da região de sua residência. Lá, um médico avalia se o paciente precisa de medicação (e hoje há uma boa e vasta gama de remédios que auxiliam a pessoa a passar pela abstinência do cigarro) ou se já pode iniciar diretamente frequentando os grupos de apoio.

Curitiba tem 110 unidades básicas de saúde. E o trabalho nos grupos de apoio duram entre seis meses e um ano.