Desde 1976 ocupando o cargo de garçom no Restaurante Imperial, Ramiro Gil Sobrado, de 76 anos, fez história no tradicional estabelecimento curitibano. O espanhol faleceu no último domingo (4) após batalhar por algumas semanas contra o novo coronavírus e ter uma complicação cardíaca.

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Sergio Luiz Chueh, proprietário do Imperial explica que desde meados de fevereiro ele havia sido afastado de todas as atividades presenciais no restaurante, para garantir sua segurança. Ramiro, inclusive, já havia tomado a primeira dose da vacina no dia 18 de março, mas a suspeita dos médicos é de que ele tenha contraído o vírus alguns dias antes desta data.

Casado, com três filhos e dois netos pequenos, Ramiro chegou ao Brasil com 14 anos, imigrando da Espanha. Ele desembarcou em Santos (SP), onde viveu por quatro anos, e depois de mudou para a capital paranaense e, logo no início, começou a trabalhar no restaurante. “Ele era uma pessoa ímpar e muito querida. Todos queriam ser atendidos por ele; abraçavam ele… É uma relação que já não existe mais na maioria dos restaurantes”, afirma Sergio. “Eu nunca o chamei de funcionário, ele era um amigo. Quando meu pai morreu, adotamos o Ramiro como pai”, completa emocionado.

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O garçom também era apaixonado por futebol e bastante religioso. No total, torcia para três times: o Santos, que era seu favorito e cuja camisa foi usada para vesti-lo em seu enterro, o Atlético e o Barcelona, ambas camisetas também foram colocadas sob seu caixão. Ramiro era católico e um homem de muita fé, como explicou o proprietário do restaurante. “O Imperial vai sentir profundamente esse rombo deixado pela falta dele; Ramiro é insubstituível”, lamenta Sérgio.

Gastronomia curitibana em luto

A gastronomia da capital paranaense sofreu outra perda neste início de semana. Nelson Ferri, proprietário do tradicional Bar Stuart, faleceu na segunda-feira (5), no Hospital Vita, onde tratava de um câncer descoberto há mais de dois anos.