Mesmo diante de todas as orientações e advertências que adolescentes e jovens recebem de familiares, professores, amigos e até de policiais, muitos ainda insistem em se arriscar pegando rabeira de caminhões, ônibus e outros veículos de grande porte. Na manhã de ontem, a reportagem da Tribuna flagrou um destes jovens andando de bicicleta no vácuo de um caminhão na Rua Vereador Wadislau Bugalski, em Almirante Tamandaré. O ato perigoso foi filmado e o garoto só saiu de trás do caminhão quando percebeu a presença do carro da reportagem.

O tenente Ismael Veiga, do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), contou que são muito comuns os chamados da população, informando de jovens brincando nas canaletas do expresso, pegando rabeiras dos ônibus em bicicletas ou skates, já que o asfalto é bom e não há tanto movimento de outros veículos. Mas o tenente alerta sobre o perigo da brincadeira, por causa do vácuo que se forma atrás do veículo de grande porte em movimento. “O vácuo não oferece resistência, a pessoa vai mais rápido. Mas quando o veículo reduz a velocidade ou para, ao menor retorno de ar o cliclista ou skatista se desequilibra muito rápido e não consegue retomar o controle com a mesma agilidade. Acaba se desequilibrando e indo parar debaixo do veículo”, explicou o tenente, dizendo que este é a mecânica mais comum de acidente neste tipo de brincadeira imprudente. E mesmo que o cliclista ou skatista esteja fazendo isto na lateral do veículo, também está sujeito ao vácuo e ao desequilíbrio.

Motoristas

O tenente explicou que a brincadeira também deixa o motorista numa situação bem delicada, que ao visualizar alguém em sua lateral ou traseira, sabe que não pode freiar brusco e nem continuar circulando normalmente, para não causar nenhum acidente. Na medida do possível, o motorista deve tentar reduzir a velocidade lentamente até conseguir parar e orientar o ciclista a não pegar mais a rabeira.

Na avaliação do tenente, o que talvez ajude a estimular estes jovens a continuar se arriscando na rabeira de veículos grandes é que não existe nenhuma lei que penalize este pedestre. O que resta à polícia é apenas solicitar que os jovens parem com a brincadeira e orientar sobre os riscos. “É dever do Estado preservar vidas. Então vamos ao local, orientamos e procuramos ficar um tempo para evitar que voltem a praticar a rabeira. Na maioria dos casos, eles momentaneamente param. Mas sabemos que estes jovens já têm uma tendência a delinquir e é provável que voltem à prática em outros momentos. Neste caso, orientação e vigilância dos pais também deve existir”, disse o tenente.

Ele diz que, normalmente, a orintação da própria comunidade ou do motorista já resolve o problema, sem a intervenção da polícia. “Mas muitas pessoas não se sentem a vontade em em chamar a atenção. Neste caso, pode acionar o 190 e uma equipe vai ao local para conversar com os jovens”, orientou Veiga.

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