Com tradição não se brinca. A frase é popular e exalta bem o significado de uma empresa que está acostumada a passar bons momentos nas mesas dos paranaenses. Pode ser ela avermelhada ou transparente, mas o gosto é inconfundível. Os refrigerantes Cini de framboesa, wimi ou gengibirra, entre outros sabores da marca, passaram de geração em geração, e a gasosa transformou-se em um daqueles produtos que o curitibano faz questão de servir e falar que é da terrinha.

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O paraíso das bebidas está localizado perto do Aeroporto Internacional Afonso Pena e o embarque para o sabor fica em um barracão de 11 mil metros quadrados, que comporta três linhas de produção com equipamentos que geram agilidade e precisão no processo fabril. Por falar em Aeroporto, você viu o flagra que rolou por lá na noite desta quarta-feira? Um Boeing n meio da rua chamou atenção.

Atualmente, com 117 anos de vida, a empresa produz anualmente 60 milhões de litros de bebida com 26 tipos de produtos, contabilizando a novidade Maçã Verde, que vai chegar nos próximos dias aos consumidores. Aliás, pensando nas festas de fim do ano, a Cini começa a produzir os refrigerantes em setembro para dar conta do recado em dezembro. Os refrigerantes são distribuídos em mais de 20 mil pontos comerciais no Paraná, Santa Catarina e sul de São Paulo.

Cini Maçã Verde é a novidade da marca e deve chegar aos curitibanos em breve.
Cini Maçã Verde é a novidade da marca e deve chegar aos curitibanos em breve. Foto: Divulgação.

A Cini Bebidas foi fundada em 1904, mas o primeiro produto surgiu antes, em uma pequena vila na Colônia Cecília, em Palmeira, na região dos Campos Gerais, no interior do Paraná. O italiano Ezígio Cini e sua esposa Aldina faziam nos fins de semana uma bebida misturando água, açúcar e gengibre. O nome dado foi de gengibirra, união das palavras gengibre e birra (cerveja em italiano).

Na época, o líquido era tratado como uma cerveja de gengibre, mesmo não sendo alcóolica. Para ficar pronta, a bebida pass por um processo de fermentação igual ao da cerveja e a produção continua semelhante até hoje.

O gengibre quando chega à fábrica, passa meses em processo de fusão em extrato alcoólico. O objetivo é garantir a preservação do gengirol, princípio ativo originado do gengibre que dá gosto à bebida. O produto geralmente é colhido em áreas litorâneas no Paraná e em São Paulo.

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Nilo Cini, bisneto do fundador e representante da quarta geração da família Cini, reforça que o lado familiar/emotivo está presente na cadeia alimentar e contribui na hora da escolha diante das prateleiras cercadas de produtos coloridos e tamanhos. “A comunidade ainda é muito participativa e lembro quando mudamos os rótulos. As críticas questionavam o motivo, ou seja, o consumidor teria que ter sido consultado para a alteração. As pessoas são participativas e isso deixa a gente emocionado. Levamos esse sentimento no coração todos os dias”, disse Nilo, um dos diretores da empresa.

"As pessoas são participativas e isso deixa a gente emocionado. Levamos esse sentimento no coração todos os dias”, disse Nilo, bisneto do fundador Ezígio Cini.
“As pessoas são participativas e isso deixa a gente emocionado. Levamos esse sentimento no coração todos os dias”, disse Nilo, bisneto do fundador Ezígio Cini. Foto: Gerson Klaina.

O Cini Campeão

O principal produto vendido continua sendo a gasosa de Framboesa. Dos 60 milhões de litros produzidos na Cini, aproximadamente 22% é direcionado ao refrigerante da fruta vermelha.

O campeão de vendas tem um segredo que avança décadas. O fornecedor do aroma nunca foi alterado e tem a companhia do extrato de guaraná e da framboesa. Ainda conta com o corante vermelho que dá a magia em um copo ou mesmo na pequena garrafinha de plástico de 200 ml, a menor da Cini.

A Wimi mudou de gosto?

Infelizmente isso realmente aconteceu. Para aqueles que tomavam a pequena Wimi, na garrafinha de cor escura no recreio da escola, ou mesmo na feira comendo um pastel, a mudança no sabor foi perceptível. De acordo com o Nilo Cini, alguns fatores fizeram com que isso acontecesse, desde a saída da garrafinha para o pet.

“A base aromática e a composição é a mesma. Só que a legislação mudou um pouquinho, e nos obrigou a alterar. Lá atrás, era uma laranjada Wimi e então tinha uma concentração de suco maior, e hoje é um refrigerante com teor de suco menor com propriedades iguais. O que muito mudou foi a garrafinha. A garrafinha deixa o produto mais estável. Já no pet, coloca um pouco de CO2 e existe essa pequena alteração. Além disso, o transporte e o armazenamento alteram o produto conforme vai passando o tempo”, comentou Nilo.

refrigerante wimi
Tradicional Wimi acabou tendo o sabor alterado por conta de uma legislação. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

A saída da garrafa para o plástico foi um pedido do comércio. São mais leves, o que permite um fácil manuseio em relação, por exemplo, ao vidro. Por ser um material resistente, há menos perda de produtos devido a impactos ou quedas durante o transporte em comparação a outros tipos de embalagem.

Quanto aos tamanhos, uma curiosidade. Ela chega na fábrica parecendo um tubo de ensaio. Ao esquentá-la e passar por um molde, a empresa define o tamanho que vai ser preenchida, no caso, enchida. O processo é realizado com equipamentos modernos que garantem a qualidade, sem perder o lado humano do funcionário na produção.

Fábrica de refrigerantes Cini em Curitiba
Garrafas chegam à fábrica parecendo um tubo de ensaio. Ao esquentá-la, elas passam por um molde para ficar do tamanho tradicional. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná..

Em seguida, as garrafas recebem o xarope composto, que é levado até a linha de envasamento por tubulações de aço inox. Na enchedora, o xarope composto recebe água e CO2 em proporções adequadas para o produto. As garrafas são cheias até o nível correto e em seguida são transferidas automaticamente para a encapsuladora, onde recebem a tampa. A etapa de fechamento deve ser realizada com cuidado, para evitar produção de espuma. Após o enchimento, as garrafas são fechadas, rotuladas e codificadas com data de validade, hora e linha de envasamento.

Gasosa liberada

Na empresa são 228 funcionários, entre eles, o Cláudio Siduovski, líder de produção. Chegou na Cini em 1986 para trabalhar de auxiliar de produção e desde então segue na firma. “É minha segunda família, e tenho tudo hoje graças a Cini e a Deus. Tenho esposa e um filho que estuda Biomedicina, e posso dizer que o segredo é amar o que se faz todos os dias. Tenho orgulho do meu trabalho e faria tudo novamente”, reforçou Cláudio.

Para os amantes do líquido e fãs do barulho do gás saindo ao abrir a garrafa, dentro da fábrica é possível consumir todos os tipos de sabores. A única proibição é sair com produto para fora do complexo. Questionado pela Tribuna do Paraná, se enjoa tomar todo dia, o veterano funcionário logo foi avisando que isso não acontece. “Produto bom a gente não enjoa. Tenho preferencias por alguns sabores como a gengibirra. Lá em casa só da Cini”, valorizou Cláudio.

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