Mobilização Nacional dos Caminhoneiros começou a mostrar sua força nesta quarta-feira (23) na medida em que os efeitos começaram a ser sentidos em todo o país. No terceiro dia de paralisação, apesar das ações aparentemente pouco coordenadas, a ausência de caminhões nas estradas afeta diretamente a distribuição de combustíveis e alimentos, gerando efeitos imediatos para a população da grande Curitiba. Já falta combustível em vários postos da cidade.

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Combustível acaba em parte da RMC com a greve dos caminhoneiros. Pode faltar comida

Motoboys e motoristas de app se unem a caminhoneiros em protesto

Bombas vazias

Com a ameaça de desabastecimento dos postos de combustíveis de Curitiba por causa da greve dos caminhoneiros, que está afetando diretamente a distribuição de combustíveis nos postos, os curitibanos decidiram correr para abastecer o carro enquanto o produto ainda está disponível.

A reportagem da Tribuna do Paraná apurou já no início da manhã que todos os postos de Itaperuçu e Rio Branco do Sul estão sem combustíveis. Há também relatos de desabastecimento em postos de Ponta Grossa – os postos que ainda têm estoque apresentam filas enormes de motoristas na busca por encher o tanque – e também no Litoral do Estado.

“Nossa gasolina e etanol já acabaram. A situação está complicada e a tendência é piorar, porque os moradores não vão conseguir sequer rodar dentro da cidade”, disse uma funcionária de um posto de Itaperuçu, que preferiu não ter seu nome divulgado.

Sindicombustíveis diz que até o momento não recebeu nenhuma informação de desabastecimento geral nas maiores cidades do Paraná, conforme informações enviadas de Curitiba, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu. Entretanto, caso a greve continue realizando bloqueio de estradas e dos centros de distribuição de combustíveis, podem ocorrer situações pontuais de dificuldade no abastecimento por conta destas interdições.

Em Londrina, há um bloqueio total no centro de distribuição e muitas filas nos postos da cidade. Mas até o final desta tarde (17h) não tivemos registros de falta de combustível. Em Curitiba, a informação mais recente, segundo o Sindicombustíveis, é que o centro de distribuição de Araucária foi fechado novamente pelos grevistas por volta das 17h.

Combustível já acabou em vários postos de Curitiba. Nos que ainda têm, as filas são enormes, confira:

protesto-caminhoneiros-aumenta-preco-gasolina (4)Alerta vermelho

A falta de combustíveis iminente disparou um “Alerta Vermelho” no Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp). Em nota enviada para a imprensa os representantes dos donos de empresas pediram medidas de emergência para diminuir a “carga” do transporte e adiar uma eventual paralisação da circulação dos coletivos.

No final da tarde a Urbs decidiu reduzir a frota de ônibus em circulação em Curitiba já a partir das 17h desta quarta-feira (23). Nos horários de pico, a redução vai ser de 30% e nos demais horários, de 50%. São considerados horários de pico: 6h30 às 8h30; 11h às 13h; 17h às 19h30; 21h30 às 23h.

No final da tarde, no entanto, o prefeito Rafael Greca voltou atrás e disse que enquanto faz as análises dos estoques de combustível das empresas, a frota será mantida.

Faltam alimentos no Ceasa

O terceiro dia de protesto dos caminhoneiros também já afeta a Ceasa. A reportagem apurou que na unidade de Curitiba, que fica no Tatuquara, o abastecimento dos alimentos já diminuiu 50% e só não está sendo mais grave porque produtores da RMC estão conseguindo suprir um pouco a demanda. Na capital, o problema tem acontecido porque os produtores do Norte do Paraná sequer estão permitindo que os caminhões saiam para trazer os alimentos, com medo de que os veículos fiquem presos no caminho.

Nossa Feira suspensa

Pontos do programa Nossa Feira, da prefeitura de Curitiba, não irão funcionar nesta quarta (23/5) e quinta (24/5) por falta de frutas, legumes e verduras. O desabastecimento acontece por causa da Mobilização dos Caminhoneiros. As primeiras a sentirem os efeitos são os pontos do Barreirinha e no Campina do Siqueira, nesta quarta-feira. Na quinta-feira não vão abrir os pontos do Pilarzinho e do Lindoia. Sacolões e Armazéns da família também podem fechar.

Bloqueios

O protesto dos caminhoneiros contra o aumento no preço dos combustíveis segue causando bloqueios em estradas. No Paraná são 36 protestos nas estradas federais, mas não há bloqueio total, apenas quatro bloqueios parciais. Por determinação da Justiça Federal, o bloqueio total das rodovias paranaenses está proibido, sob pena de R$ 100 mil por hora.

Durante a tarde foram realizados bloqueios no Contorno Leste, na região de São José nos Pinhais, numa mobilização de ceramistas, donos de transportadoras, agricultores e motoristas. Impedidos de interditar totalmente a rodovia, os motoristas trafegavam a velocidades muito baixas. Na Rodovia da Uva, sentido Colombo, também foram registrados protestos.

Apoio de outras categorias

Motoboys e motoristas de aplicativos se uniram aos caminhoneiros em Curitiba para protestar contra o aumento dos combustíveis na manhã desta quarta. Cerca de 50 motoboys e motoristas de apps – como Uber, 99 e Cabify – se reuniram por volta das 8h nas proximidades da fábrica da Volvo, na CIC, e partiram em carreata em direção à Repar, a refinaria da Petrobras em Araucária, região metropolitana.

Entenda os motivos

Os aumentos seguidos nos preços do diesel levaram os caminhoneiros a programarem a paralisação. A categoria pede que uma série de reivindicações apresentadas ao governo federal sejam atendidas. A principal reivindicação dos caminhoneiros é a redução da carga tributária sobre o diesel. Os motoristas pedem que se zere a alíquota de PIS/Pasep e Cofins e a isenção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

Os impostos representam quase a metade do valor do combustível na refinaria. Segundo eles, a carga tributária menor daria fôlego ao setor, já que o diesel representa 42% do custo do frete. Por conta dos reajustes diários no diesel, os caminhoneiros autônomos dizem estar no limite dos custos. Nos últimos 12 meses, o preço do diesel na bomba subiu 15,9%. O valor está bem acima da inflação acumulada em 12 meses, em 2,76%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).