A chuva da última quarta-feira (7) escancarou de vez os problemas na tubulação de água pluvial da Rua Desembargador Westphalen, no Centro de Curitiba, que há anos não dá conta da vazão, estoura e acaba levantando o asfalto. Parcialmente interditada desde o temporal anterior, no dia 21 de fevereiro, quando o buraco na pista mais uma vez reapareceu, a Westphalen foi completamente interditada no trecho entre as avenidas Visconde de Guarapuava e Sete de Setembro.

Antes mesmo de a situação da cratera se agravar quarta-feira, o prefeito Rafael Greca (PMN) já havia anunciado em sua página pessoal no Facebook uma “intervenção dramática” para tentar resolver de vez os alagamentos na Westphalen que impactam no trânsito de todo o Centro. No post, o prefeito promete uma obra de grande porte em toda a tubulação da rua, indo do Centro ao bairro Parolin, nas proximidades com a Linha Verde.

+ Fique esperto! Perdeu as últimas notícias sobre segurança, esportes, celebridades e o resumo das novelas? Clique agora e se atualize com a Tribuna do Paraná!

“O famoso buracão da rua Westphalen com Visconde de Guarapuava merece mais do que solução paliativa”, justificou o prefeito na postagem, referindo-se aos dutos de dimensões defasadas, da década de 1940.

Greca reconhece que o sistema está “em ruína” e adianta que a prefeitura estuda a substituição das galerias em toda a sua extensão – promessa feita pelos prefeitos de Curitiba há pelo menos seis anos. “É necessária uma intervenção dramática em toda Westphalen até a Linha Verde. A solução atual é provisória enquanto aguardamos elaboração de um projeto de macrodrenagem e o orçamento das custosas obras de engenharia. Tudo será feito dentro dos prazos de projeto, licitação e execução, respeitados os prazos da Justiça que nunca têm a velocidade das necessidades urbanas”, justifica o prefeito no Facebook.

A Secretaria Municipal de Obras Públicas (SMOP) confirma a obra. Segundo a pasta, por causa dos reparos paliativos que estão sendo feitos na via em consequência dos últimos estragos, equipes já conseguiram fazer todo o levantamento topográfico do trecho, o que serve como pontapé para os estudos. No entanto, a SMOP ressalta que como a macrodrenagem da Westphalen não consta no orçamento de 2019, o projeto só deve sair do papel em 2020, depois de os custos serem definidos conforme a lei.

Transtorno

Quase 15 dias após a chuva mais recente que destruiu a tubulação da Westphalen, a situação na esquina com a Visconde de Guarapuava se agravou. Uma forte chuva na Quarta-Feira de Cinzas (6) alagou a rua novamente e mais um pedaço do asfalto cedeu. Isso fez com que a Superintendência Municipal de Trânsito (Setran) pedisse o bloqueio total do trecho entre as avenidas Visconde de Guarapuava e Sete de Setembro — o que complica ainda mais o trânsito na região central da cidade. De acordo com a SMOP, essa interdição deve perdurar até o fim da obra por questão de segurança.

Após a enchente do dia 21 de fevereiro, o diretor do Departamento de Pontes e Drenagens da secretaria, Augusto Meyer, explicou que o problema foi causado pelo aumento da pressão nas tubulações que passam nas galerias subterrâneas. “Essas tubulações são aquelas mais antigas de captação de águas pluviais e estão um tanto subdimensionadas para agora. Com a chuva torrencial, nós tivemos ali esse transbordamento e essa pressão, que fez com que o pavimento levantasse”, descreveu.

+ APP da Tribuna: as notícias de Curitiba e região e do trio de ferro com muita agilidade e sem pesar na memória do seu celular. Baixe agora e experimente!

Os serviços imediatos de reparo consistem na abertura de “caixas” ou “pontos de extravasamento”, ou seja, novas bocas que permitam que a água vaze pela rua para aliviar a pressão da tubulação, o que a prefeitura garante que vai minimizar consideravelmente o problema do asfalto. Por outro lado, não foi respondido se a água extravasada da tubulação continuaria gerando problemas na superfície.

Além disso, ações constantes de limpeza e desobstrução das galerias devem contribuir para evitar que, além da água, as galerias fiquem cheias de lixo. Embora não haja um cronograma definido para essas ações, Meyer afirma que elas vêm sendo realizadas de forma contínua em toda a cidade e que as quantidades de lixo retiradas são significativas.