O relógio já marcava 1h15 da madrugada deste sábado (26). A administradora Rita Barchik já estava na fila para tentar abastecer o seu carro há duas horas. A última tentativa da curitibana era o posto Arabian, localizado no bairro Atuba e com 24 horas de funcionamento. Era um dos únicos a ainda contar com combustível – pelo menos até o fechamento desta matéria.

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Antes disso, Rita já havia passado por diversos bairros da capital paranaense e não tinha encontrado um estabelecimento aberto. “Pretendo ficar a noite inteira aqui, mas preciso abastecer”, disse ela. Rita era uma das centenas de pessoas que ficaram na madrugada fria esperando por um tanque cheio. O termômetro marcava apenas 13 graus e famílias se aglomeravam entre as ruas Hilário Moro, Saul Piccoli e Modesto Picolli.

Foto: Diogo Souza.
Foto: Diogo Souza.

Na Linha Verde, havia motoristas que já estavam ali desde o final da tarde de sexta-feira. “Fui em diversos postos em Curitiba, São José dos Pinhais, Colombo e nada. Essa é a minha última esperança”, declarou um motoboy, que não quis se identificar. Famílias com crianças, idosos, motoristas de aplicativos, taxistas, motociclistas…curitibanos, que sofreram com a greve dos caminhoneiros.

Sofreram, mas apoiavam. “Fora, Temer!”, estava escrito no vidro de um dos veículos parados. Era o desabafo de quem não aguenta mais pagar caro por um combustível de qualidade tão duvidosa. Enquanto isso, lá dentro do posto, os funcionários se desdobravam para atender a população. Marcos era um deles. Ele estava ali desde às 6h da manhã de sexta-feira para tentar manter a ordem no posto.

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“Nós vamos ficar aqui até acabar o combustível. Não tem horário pra ir embora”, ressaltou o trabalhador, enquanto ia liberando os carros aos poucos, para que o estabelecimento não virasse uma bagunça. A sexta-feira do dia 25 de maio de 2018 foi um dia que durou muito mais que 24 horas para esses curitibanos. Resta saber se é só o início ou se essa situação caótica terminará em pouco tempo.

Foto: Diogo Souza.
Foto: Diogo Souza.