Ruas mais vazias do que o normal, poucas pessoas circulando e o comércio, aos poucos, tentando funcionar. Um dia útil com cara de feriado. Esse era o retrato do Centro de Curitiba na manhã desta sexta-feira (28), reflexo da Greve Geral contra as Reformas Trabalhistas e da Previdência Social.

Sem ônibus, com a paralisação dos funcionários do transporte coletivo, muitas pessoas ainda tentam chegar em seus trabalhos. Este foi o caso do repositor Francisco da Silva Lara Neto, 30 anos, que mora em Almirante Tamandaré e trabalha em Curitiba.

“Foi difícil, tive que vir a pé, eu uso o transporte para vir trabalhar, foi complicado para mim. É muito longe, tive que sair bem mais cedo, para chegar um pouco antes e para poder descansar. Levei “umas” duas horas, (de Almirante Tamandaré até o centro de Curitiba). Os trabalhadores têm que protestar, mas não podem prejudicar quem precisa do transporte. Se eu não chegar ao meu trabalho, posso ser mandado embora por justa causa”, contou.

Entre os comerciantes, também eram muitas as reclamações por conta dos prejuízos gerados, pelo fraco movimento de clientes e ausência dos funcionários. Para o comerciante José Roberto Bresser Cueto, 59, que mantém uma lanchonete no Centro de Curitiba, um dia em que as despesas serão maiores do que os lucros.

“Eu não tenho ninguém dentro da loja e nem funcionários, estou sozinho, abri a loja para atender alguns clientes que vêm trabalhar na greve, de algum jeito. O custo fixo da loja é muito alto ainda mais na Rua XV, com aluguel e impostos muito altos, é difícil. Essa é uma greve política, o sindicato não quer perder seu ganha pão e está fazendo isto aí com pais inteiro”, .

Procurada, a Associação Comercial do Paraná (ACP) não se divulgou dados sobre os impactos da paralisação para o comércio e também, não se pronunciou sobre a greve desta sexta-feira.

 

Ainda fechados

Na região central, além do comércio que só teve suas atividades intensificadas no início da tarde, as agências bancárias e dos Correios ainda permanecem fechadas, assim como outros serviços que também estão paralisados ou funcionado parcialmente, como serviços de saúde e coleta de lixo.

Na maior parte das escolas estaduais e municipais não houve aula nesta sexta-feira, pela ausência dos estudantes e dos professores. Já alguns alunos de faculdades particulares, como o filho da desempregada Alessandra do Amaral, 37, tiveram até provas nesta manhã.

“Tenho um filho que faz faculdade e a gente teve que trazer, ele tinha prova, não tem como faltar. Não tinha ônibus onde a gente mora, parou geral, como sempre é só o povo que sai prejudicado”, diz Alessandra, que, no entanto, não é contrária a greve. “A gente sabe que tem que fazer alguma coisa. A gente tem que aderir a estas greves, o povo é a força, a gente tem que se juntar”.

Assista as reportagens e acompanhe os depoimentos da população sobre a greve