O novo dia de greve geral organizado para a próxima sexta-feira (28) vai fechar as portas de bancos e escolas estaduais em Curitiba. Também já decidiram fazer parte do protesto nacional metalúrgicos e policiais civis.

Professores da rede municipal de ensino da capital, bem como guardas municipais e demais servidores da prefeitura – que estão em batalha contra o pacote de ajuste fiscal proposto pelo prefeito Rafael Greca, definiram em assembléia na noite desta segunda-feira (24) que vão participam da mobilização. Os servidores do executivo municipal também aprovaram indicativo de greve para o dia 15 de maio.

“Nas andanças que a gente faz nos locais de trabalho, tanto nas agências como nos centros administrativos, vemos uma atividade bastante forte para o dia 28. Eles [trabalhadores] estão buscando do sindicato essa estrutura. Então, a gente já tem um sinal de que devemos ter uma paralisação bem forte no dia 28”, analisa o presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, Elias Hennemann Jordão. De acordo com a entidade, não há como prever quais agências ficarão fechadas na data.

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O Sinclapol, sindicato que representa os policiais civis do Paraná, informou que a categoria também vai paralisar as atividades. No dia, só serão atendidas ocorrências de emergência, como sequestros e homicídios, por exemplo. Boletins de ocorrência não serão feitos. O sindicato diz ainda que, como o protesto é geral, o ato também vai prejudicar a realização de documentos de identidade nos institutos de identificação do estado, inclusive na capital.

Os professores da rede estadual de ensino vão aproveitar o dia para relembrar os dois anos do episódio que ficou conhecido como a “batalha do Centro Cívico”– quando, no dia 29 de abril de 2015, policiais militares deixaram mais de 200 pessoas feridas durante um protesto na região central de Curitiba. “Não tem aula e nós vamos fazer um ato no Centro Cívico em memória a este dia. E, claro, também levar outras pautas para discussão, como o ataque do governo à hora-atividade,” destacou Luiz Fernando Rodrigues, de secretaria de Comunicação da APP Sindicato.

Professores da rede particular de ensino da capital irão engrossar o movimento. Não há registros de uma paralisação geral dos docentes das instituições privadas desde a fundação do Sindicato dos Professores do Estado do Paraná (Sinpropar), em 1943. “O Sinpropar entende que a rede particular de educação deve ser diferenciada e por isso, muitas vezes acaba não realizando greves e paralisações em nítido respeito aos pais e alunos, entretanto, essa é uma situação diferente, onde mudanças afetarão não apenas os próprios professores, mas também seus alunos, por isso, essa paralisação é em defesa da sociedade”, cita, em nota.

O ato que deve reunir diversos sindicatos no Centro de Curitiba está agendado para as 9 horas, na Praça Nossa Senhora da Salete.

Em seu site, o Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e região metropolitana afirma que também vai integrar o ato em Curitiba e que as mobilizações dos trabalhadores do setor começarão logo de madrugadas nas fábricas, com “assembleias e a paralisação total dos trabalhadores”.

Pautas

Organizado desde o mês passado, o dia de greve geral leva a assinatura de várias entidades sindicais, entre elas a Central Única dos Trabalhadores e Força Sindical.

O ato ganhou fôlego depois de um dia de atos nacionais realizado em março, que focou, principalmente, contra a reforma da Previdência e que paralisou diversos serviços públicos. No dia, em Curitiba, além de professores e trabalhadores municipais, também cruzaram os braços motoristas e cobradores –que aproveitaram a data para dar início à mais longa greve de reivindicação salarial própria da categoria.

Desta vez, entram na pauta dos trabalhadores discussões sobre a lei da terceirização, sancionada com vetos pelo presidente Michel Temer (PMDB) no fim de março, bem como protestos contra as reformas trabalhista e da Previdência, que tramitam no Congresso.