A queda de um carro no Rio Mossunguê durante forte enxurrada na noite desta terça-feira (16) , que acabou na morte do motorista do veículo, não foi o primeiro caso no local – no início da tarde desta quinta-feira (18), o veículo da vítima, um Renault Logan, ainda estava no leito do rio. Moradores contam que, em meados do ano passado, outro condutor também quase foi vítima da falta de estrutura na ponte. O caso só não acabou em tragédia porque o veículo foi segurado por pedras. Mais do que isso, segundo os vizinhos do rio, os pedidos por obras que evitem que novos acidentes se repitam são antigos, mas que nada foi feito pela prefeitura ao longo das últimas duas décadas.

A moradora de um sobrado bem perto de onde o carro do engenheiro foi levado, na Rua Marcos Andreatta, diz que há mais de 20 anos a prefeitura é acionada para fazer reparos no rio. À gestão passada, foi entregue um abaixo-assinado para baixar o córrego em 2 metros — solução que ajudaria a evitar as inundações em dias de tempestades. Mas o retorno não veio.

Veja também: A previsão do tempo para todo o Paraná

“A gente está há muitas gestões brigando com a prefeitura para ver se fazem alguma coisa por esse rio. Pelo menos, se tivesse a ponte aqui em boas condições, teria evitado de o motorista cair. Mas a gente só briga. Os anos passam e nada é feito”, declarou a moradora que não quis se identificar.

A tragédia desta terça-feira (16) aconteceu em meio a uma chuva forte e trouxe à tona um problema que já é rotina para os moradores. “Nem sair de casa direito dá, porque se sai e chove tem que voltar correndo”, explica Dulce Meira, 64, que vive há 22 ao lado do rio e vive com mendo de inundações. Ela conta que, nesse período, já foram quatro enchentes grandes e, em algumas, foi obrigada a sair de casa. Já os alagamentos que tomam conta do jardim e da parte da frente da casa nem entram mais nos cálculos. “Isso é direto. Choveu, sobe. A gente pede para eles fazerem uma contenção aqui, mas nunca temos retorno”, diz.

Outro vizinho do Rio Mossunguê, Rodrigo Irapuan, de 41 anos, viu a água invadir a sua casa e a do sogro durante o temporal da última terça-feira. A família conseguiu salvar os eletrodomésticos, mas os móveis foram perdidos porque o nível da água – que subiu 3 metros, segundo o Corpo de Bombeiros – se alterou rápido demais. “Quando eu vi, o rio já estava subindo da minha cintura”, relembra o morador, que há anos pede a implantação de uma galeria para resolver de vez o problema.

Foto: Jonathan Campos
Irapuan mostra até onde a água subiu em sua casa. Foto: Jonathan Campos

 

Segundo Rodrigo, o transtorno se agravou com o aumento de condomínios na Rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza e que teriam galerias estreitas demais para suportar o grande volume de água que vem com as tempestades. “Como não comporta tudo lá, cai direto para o Rio Mossunguê”, explica. O morador diz que o problema já foi relatado diversas vezes à prefeitura, até mesmo nas redes sociais do prefeito Rafael Greca, que respondeu dizendo que a reclamação deveria ser feita pela Central 156.

No entanto, no serviço, as respostas obtidas foram de que não há o que ser feito no rio. “A prefeitura não faz nada. Se tivesse alguma mansão aqui, eles fariam. As poucas vezes que vieram, olharam aqui e disseram que está tudo bem. É muito triste”, desabafa Rodrigo.

De acordo com o Departamento de Pontes e Drenagens, da Secretaria Municipal de Obras Públicas, realmente não há projetos para levar uma galeria ou um projeto de contenção para o rio. A prefeitura disse que equipes fizeram uma nova vistoria no ponto onde o carro caiu e que, agora, estuda a possibilidade de construir uma barreira de proteção do rio.

“Na noite de terça-feira, houve uma precipitação muito rápida e de forte intensidade de chuva, que fez o rio subir rapidamente. Equipes de manutenção fazem limpeza e conservação constantes na região, mas em casos de chuvas muitos fortes e de forma rápida, às vezes a calha do rio não suporta a quantidade de água”, diz a nota.