O Brasil tem pelo menos oito casos suspeitos de hepatite de origem desconhecida sendo investigados. Na manhã de sexta (6), o Ministério da Saúde havia divulgado quatro ocorrências no Rio de Janeiro e três no Paraná. No entanto, a Secretaria da Saúde paranaense informou que já descartou um dos casos e prossegue com a investigação de outros dois. Os pacientes do Paraná são dois meninos de 8 e 12 anos.

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À tarde, a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro divulgou uma nota confirmando haver seis casos suspeitos investigados no estado: três moradores do município do Rio de Janeiro (uma criança de 4 anos, uma de 8 anos e um bebê de 2 meses), um de Niterói (criança de 3 anos) e um de Araruama (criança de 2 anos). Um bebê de 8 meses, morador de Maricá, morreu e a investigação segue em andamento para determinar se ele foi vítima da hepatite desconhecida.

A hepatite está entre as doenças de notificação compulsória no Brasil, de maneira que os profissionais da saúde devem registrar todas as ocorrências e casos suspeitos. “Estamos acompanhando a evolução da doença no mundo e monitorando junto às vigilâncias municipais os registros de casos suspeitos no estado. O alerta é justamente para que esses pacientes possam ser acompanhados e monitorados de forma correta”, afirmou o secretário de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Alexandre Chieppe.

“É importante que os pais e responsáveis fiquem atentos aos sintomas das crianças. Se houver qualquer suspeita, elas devem ser imediatamente levadas a um serviço de saúde para que possam ser diagnosticadas e tratadas”, ressaltou o secretário.

Doença é registrada em outros países

Até o dia 3 de maio, cerca de 230 casos da hepatite desconhecida já foram registrados em todo o mundo, segundo informações da OMS (Organização Mundial da Saúde). Crianças e adolescentes com 16 anos ou menos são os principais afetados. A morte de ao menos quatro crianças é atribuída à doença: três delas ocorreram em abril, na Indonésia.

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Segundo a OMS, apenas 10% dos casos confirmados evoluíram para a inflamação do fígado, provocando a necessidade do transplante do órgão. As crianças que precisaram passar pelo procedimento se recuperaram bem.

A hepatite é uma inflamação do fígado que pode ter diversas causas, desde infecções virais até consumo excessivo de álcool, alguns medicamentos e substâncias tóxicas. Os vírus conhecidos que causam a hepatite são A, B, C, D e E. E ainda há a hepatite autoimune, em que o próprio sistema imunológico do corpo ataca o fígado.

A hepatite súbita e grave em crianças saudáveis é considerada incomum. Tanto que ela não está relacionada a qualquer um dos tipos comumente causadores da doença.

Na quarta (4), a Argentina confirmou o primeiro caso da América Latina. Uma criança de oito anos foi diagnosticada com a hepatite na cidade de Rosário, a cerca de 300 km de Buenos Aires, segundo informações do Ministério da Saúde.

Os primeiros casos a serem informados à OMS foram registrados na Escócia, no Reino Unido. Foram notificados dez casos de crianças com idade inferior a dez anos no dia 5 de abril. Dois dias mais tarde, o número de casos no Reino Unido saltou para 74, chegando a 114 no dia 25 de abril.

Nos dias que se seguiram, novos casos foram registrados na Dinamarca, Irlanda, Itália, Holanda, Espanha, Noruega, Romênia, Bélgica, França, Israel e Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, de acordo com o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), foram registrados nove casos entre outubro e fevereiro. Três deles desenvolveram insuficiência hepática e dois precisaram de transplante de fígado.

Possíveis causas

Depois do aparecimento dos primeiros casos nos Estados Unidos, as autoridades de saúde do país chegaram a relacionar a doença misteriosa ao adenovírus 41, um tipo de vírus comum de resfriados, que provoca problemas respiratórios, conjuntivite ou problemas digestivos em crianças. A maioria das pessoas é infectada antes dos cinco anos de idade.

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No entanto, essa hipótese foi descartada logo que as investigações demonstraram que nem todas as crianças doentes tinham sido infectadas pelo vírus. Segundo a OMS, de 169 casos incluídos em um relatório recente, pelo menos 74 tiveram infecção por adenovírus, sendo apenas 18 pelo adenovírus 41.

Outra suspeita que foi descartada, pelo menos como causa principal da hepatite, é a Covid-19. O mesmo relatório da OMS apontou que apenas 20 dos 169 pacientes identificados testaram positivo para coronavírus. Nem mesmo a vacina contra a Covid pode ser considerada, uma vez que a maior parte das crianças não chegou a receber o imunizante.

Na verdade, a falta de informações é o principal obstáculo para a identificação do causador da doença. Segundo João Prats, infectologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, qualquer fator pode desencadear uma nova doença.

“A síndrome de Reye, por exemplo, acontece depois de uma gripe ou catapora e provoca hepatite e encefalite. Mas ela só ocorre quando o paciente toma aspirina. Não é a influenza nem a varicela, mas é a influenza ou a varicela mais a aspirina que provoca a síndrome. Às vezes é uma soma de fatores, por isso que dificulta um pouco o entendimento”, explica Prats.

Ele também destaca que os exames médicos dos casos confirmados serão de primordial importância para a identificação do fator causador.

“O importante agora é que os casos sejam identificados para que o laboratório faça coisas diferentes no exame de sangue, pesquisar vários tipos diferentes de vírus. É um alerta para investigar direito esses casos”, diz o médico, citando uma máxima da medicina. “Quem descobre a próxima epidemia é o cara que está na porta do pronto socorro e não o técnico do CDC.”

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