O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi selecionado pelo Instituto Butantan, do governo de São Paulo, para participar da pesquisa da vacina contra o coronavírus desenvolvida pela indústria farmacêutica chinesa Sinovac Biotech. O recrutamento de voluntários para a pesquisa no Paraná poderá ser autorizado em um mês.

O HC será um dos 12 centros clínicos brasileiros a participar da fase 3 da pesquisa, que é o teste de eficácia. A vacina será testada em pelo menos 9 mil voluntários brasileiros de Curitiba, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

“Ainda estamos numa fase burocrática, de adesão ao estudo. Fomos convidados pelo Instituto, a participação foi aprovada pela universidade, foi feito um convênio com o governo de São Paulo, mas a vacina ainda precisa de aprovação da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] para ser importada e precisamos da aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa [Conep] para poder ser testada em humanos”, explica a pesquisadora responsável pela pesquisa no Paraná, Sônia Raboni.

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A vacina contra o coronavírus desenvolvida pela Sinovac é considerada uma das mais promissoras do mundo, porque usa tecnologia já conhecida e amplamente aplicada em outras vacinas. É também uma das mais avançadas em testes – está na terceira etapa, chamada clínica, de testagem em humanos. O laboratório chinês já fez testes do produto em cerca de mil voluntários na China, nas fases 1 e 2. Antes, o modelo experimental aplicado em macacos apresentou resultados expressivos em termos de resposta imune contra as proteínas do vírus.

Transferência de tecnologia

Caso a vacina seja aprovada, a Sinovac e o Butantan vão firmar acordo de transferência de tecnologia para produção em escala industrial tanto na China quanto no Brasil para fornecimento gratuito ao Sistema Único de Saúde (SUS).

“É fundamental a participação do Brasil pela fase de aceleração da pandemia que o país está enfrentando. O Brasil tem que participar, e tem que ser dentro destes convênios, que incluem a transferência de tecnologia. Nós contribuímos para a informação científica, pelo fato de o vírus estar circulando com intensidade aqui, mas, no final, nossa população também tem acesso à vacina”, enfatiza Sônia Raboni.

A pesquisadora explica que os voluntários selecionados para o teste da vacina serão profissionais de saúde que estão na linha de frente do atendimento à covid-19. “Para verificar a eficácia, é importante selecionar um grupo de alto risco, como o dos profissionais da linha de frente. É uma pesquisa randomizada, duplo cego com placebo, em que um grupo de pacientes receberá a vacina, outro grupo receberá placebo sem que os pesquisadores saibam quem recebeu qual aplicação. A comparação do número de infectados bem como a dos eventos adversos indicará a eficácia”, conta.

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Sônia lembra que a vacina já passou por avaliação pré-clínica, com macacos, em que apresentou bons resultados na produção de anticorpos e de proteção. Nas duas primeiras fases de testes em humanos, foram verificadas a segurança e a dosagem da vacina, avaliando se ela produz efeitos adversos e qual a dosagem necessária para uma produção significativa de anticorpos. “Agora, na fase 3, que é a da eficácia, testa-se em um número bem maior de pessoas para aferir se, realmente, a vacina protege o paciente”.


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