Uma busca rápida na Internet basta para mostrar como Curitiba é vista no universo imobiliário. “O clima, a organização e limpeza fazem de Curitiba uma cidade muito chique. O mercado de imóveis de luxo desta capital está entre os principais do Brasil”, diz o anúncio ao pé da letra. O site oferece imóveis de alto padrão para compra ou aluguel na capital paranaense. Mais abaixo, ainda no mesmo site, seguem fotos de apartamentos e mansões. Os valores vão de R$ 560 mil a R$ 1 milhão e 600 mil.

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Na prática, tais cifras podem chegar a muito mais. No mapa virtual disponível para localização dos imóveis, pontinhos vermelhos se concentram em regiões como Mossunguê, Santa Felicidade, Água Verde e Cabral. Bairros pelos quais o curitibano circula diariamente, muitas vezes sem ter ideia do altíssimo padrão escondido por trás de muros altos e edifícios imponentes. Esta é a “Curitiba de luxo”, possível para poucos e desconhecida por muitos.

O mercado de luxo vai de vento em popa no Brasil, mesmo em plena pandemia. Um levantamento realizado este ano pela empresa Hibou de monitoramento de mercado e consumo, mostrou que 46% do público consumidor de luxo no Brasil não teve redução financeira no último ano. Outra pesquisa divulgada pela consultoria Bain and Company, apontou que as vendas de bens do segmento cresceram exponencialmente desde março de 2020, e podem vir a representar 30% do mercado até 2025.

No setor imobiliário não foi diferente. Influenciada pelo novo conceito de habitação estabelecido a partir do isolamento social, a construção civil é testemunha do boom de reformas que teve como alvo principal dois cômodos da casa: sala de estar e cozinha – locais que ganharam novo significado a partir da pandemia.

Na esteira do “novo morar”, o mercado imobiliário de alto padrão nadou de braçadas. Como explica Milton Lindbergh Faria, corretor de imóveis de alto padrão, os lançamentos imobiliários com valores entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão cresceram 50% em Curitiba no último ano. Em São Paulo esse número chegou a 60%.

Segundo o corretor, dois fatores têm atraído os olhos do consumidor para os imóveis de luxo: o isolamento social e a queda dos juros. “Desde março de 2020 o lar ganhou novo significado para o brasileiro. Passando a maior parte do tempo em casa e impedidas de viajar, as pessoas despertaram para a demanda por conforto, o que motivou maiores investimentos em reformas ou residências que atendessem essa necessidade. Depois veio a queda dos juros, que influenciou expressivamente o poder de compra de imóveis”, explica.

Como já dá pra imaginar, o comprador de alto padrão não faz parte da geração dos millenials (nascidos entre 1980 e 1995) e muito menos da geração Z (nascidos entre 1995 e 2010), que possuem baixo poder de compra. Segundo Lindbergh, quem hoje negocia imóveis de luxo tem entre 40 e 60 anos, gosta de tecnologia e faz questão de ter espaço verde em casa.

“Quem procura por apartamentos, normalmente tem optado pelos ‘gardens’, que possuem terraço e permitem cultivo de plantas. A maioria dos consumidores de alto padrão, porém, têm procurado por casas em condomínios fechados. Em ambos os casos, a tecnologia é fator determinante para a compra do imóvel”, ressalta. Nesse quesito, sistema de iluminação digital, sistema acústico e – é claro – térmico, são exigências elementares entre os compradores.

Os mais caros de Curitiba

Mas afinal, onde está a Curitiba de luxo? Segundo Lindbergh, os imóveis mais suntuosos da cidade concentram-se na chamada “área 2”, composta pelos bairros Batel, Bigorrilho, Água Verde, Mercês e Santa Felicidade. O corretor explica que a região é detentora do metro quadrado mais caro da capital paranaense devido à localização (próxima do Centro e dos principais parques e shoppings) e também ao padrão dos imóveis circunvizinhos.

Para fins de comparação: o valor médio do metro quadrado construído no Brasil é de mil trezentos e vinte reais (IBGE). Na “área 2”, onde ficam os bairros com a metragem mais valorizada de Curitiba, este valor varia de R$ 8 mil a R$ 15 mil, dependendo da localização do imóvel.

Em segundo lugar no ranking das regiões com a metragem mais valorizada da cidade estão os bairros Cabral, Juvevê, Hugo Lange e Ahú. “São regiões que cresceram bastante nos últimos anos e têm atraído os compradores por conta dos condomínios de alto padrão, que estão em alta”, afirma Lindbergh.

Em contrapartida, bairros próximos e que no passado figuraram no topo da lista dos mais desejados, hoje, deixaram de ser procurados. “É o caso do Jardim Social que, por conta da falta de segurança, deixou de atrair compradores. O mesmo acontece no Jardim Los Angeles”, afirma. Segundo o corretor, a solução depende da gestão habitacional pública. “A não ser que haja uma mudança no plano diretor dessas regiões, permitindo condomínios fechados, a tendência é de que sejam cada vez menos procuradas”, ressalta.

No ranking os “Top 10” da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Addemi-PR), o Batel segue como o bairro mais valorizado de Curitiba, seguido pelo Campina do Siqueira e Mossunguê. Já na classificação do site Imovelweb, os bairros Cachoeira, Augusta e Campo de Santana têm o metro quadrado mais barato da cidade. Confira o ranking e os respectivos valores por metro quadrado de cada bairro.

Mais valorizados

1º  Batel – R$ 15.209,00/m²
2º  Campina do Siqueira – R$ 14.062,00/m²
3°  Ecoville – R$ 12.419,00/m²
4º Cabral – R$ 10.096,00/m²
5º Bigorrilho – R$ 9.730,00/m²
6º Centro Cívico – R$ 9.637,00/m²
7º Água Verde – R$ 9.082,0/m²
8º  Juvevê – R$ 9.038,00/m²
9º  Alto da Glória – R$ 8.724,00/m²
10º  Centro – R$ 8.654,00/m²

Os menos valorizados

1° Fazendinha – R$ 3.495/m²
2° Barreirinha – R$ 3.491/m²
3° Santa Cândida – R$ 3.481/m²
4° Sitio Cercado – R$ 3.191/m²
5° Tatuquara – R$ 3.093/m²
6° Umbará – R$ 3.085/m²
7° Ganchinho- R$ 3.005/m²
8° Campo de Santana – R$ 2.939 /m²
9° Augusta- R$ 2.886/m²
10° Cachoeira – R$ 2.820/m²

Vai valorizar! Devo comprar?

imóveis de luxo em curitiba
Segundo Vanessa Machado, despachante e correspondente bancária, a recomendação é buscar regiões em expansão demográfica, ou seja, áreas que têm apresentado condições favoráveis para negociação de imóveis. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

No “meio do caminho” e expressivamente mais acessíveis que os bairros hiper valorizados, estão aqueles com potencial de valorização. Para quem busca o mesmo conforto mas não pode arcar com cifras tão altas, a recomendação é buscar regiões em expansão demográfica que, segundo a despachante e correspondente bancária, Vanessa Machado, têm apresentado condições favoráveis para negociação de imóveis. “Os bancos estão oferecendo taxas reduzidas desde o ano passado o que tem tornado este momento bem interessante para financiamento imobiliário”, explica.

Segundo Vanessa, os bairros com grande potencial de valorização em Curitiba são aqueles que oferecem mais espaço habitacional, com terrenos e imóveis maiores. “A procura por imóveis na Vila Fanny e Santa Felicidade, por exemplo, teve um aumento significativo no último ano. Bairros da região metropolitana também. Reflexo da pandemia, que levou as pessoas a ficarem muito mais tempo em casa e, por isso, têm optado por morar em residências maiores”, destaca.

A despachante ressalta que o momento é bastante favorável para quem busca negociação porém, antes de aventurar-se no mercado imobiliário, ela recomenda que o comprador fique atento a algumas dicas. “Antes de tudo é preciso garantir que a documentação está atualizada e em dia. Nome limpo e obrigações fiscais regularizadas são o ponto de partida pra quem vai comprar um imóvel. Em segundo lugar, atenção às armadilhas! Alguns bancos lançam linhas de crédito baseadas no valor de correção da poupança e, em muitos casos, as taxas de juros ficam atreladas ao nível da inflação, o que pode encarecer os valores dependendo desta variação. Por isso é importante ficar atento às taxas de juros dos bancos antes de financiar um imóvel”, ressalta.