A cabeleireira de Curitiba Paola Bratch, 38 anos, protestou contra o lockdown da bandeira vermelha de uma maneira inusitada. Curitiba adota duras medidas de isolamento social contra a pandemia de coronavírus (covid-19), por causa do grande número de casos da doença que lotam em 100% os leitos da cidade e mantém pacientes na fila por uma vaga em hospital. O decreto municipal mantém fechado o salão de beleza onde ela trabalha, em um shopping do Centro Cívico, e ela foi cortar o cabelo dos clientes dentro de um biarticulado da linha Santa Cândida-Capão Raso.

Ela decidiu fazer isso porque o salão está fechado já faz um mês e a cabeleireira acha injusto o ônibus poder circular e o salão de beleza não poder abrir. O protesto ocorreu na manhã desta sexta-feira (26), das 8h às 10h.

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A iniciativa da Paola Bratch ironiza a autorização de circulação dos ônibus. Para ela, se o governo autoriza o funcionamento dos ônibus, é porque não há risco de contágio dentro deles. “Se o salão não é seguro o suficiente, com o shopping fazendo higienização a cada meia hora, então posso posso trabalhar dentro de um ônibus, já que, aqui sim, é seguro”, diz a cabeleireira.

Foto: Arquivo Pessoal.

Mas o protesto não é só pela abertura do salão de beleza. A intenção da Paola Bratch é também fazer o alerta do risco de contágio que existe nos ônibus. “A cidade tem um alto número de contaminação pelo coronavírus. Como é que pode os ônibus estarem lotados? A vida humana tem que estar em primeiro lugar”, ressalta ela, indignada.

Nas duas horas em que permaneceu no biarticulado, na manhã desta sexta-feira, a cabeleireira realizou dois cortes de cabelo.