Investigações da Delegacia do Consumidor (Delcon) indicam que os sócios da agência de turismo Interlaken agiram de má-fé, cometendo crimes como induzir consumidor ao erro, estelionato, publicidade enganosa e associação criminosa. As penas somadas variam, em caso de condenação, de três anos e três meses a 14 anos de prisão. O relatório final do inquérito que apura o caso começou a ser preparado nesta semana e em breve será concluído. No último domingo (26), o caso completou seis meses.

Um dia após o Natal do ano passado, a empresa anunciou o encerramento de suas atividades, deixando na mão centenas de clientes. Os sócios da Interlaken são acusados de ter lesado mais de 250 clientes de Curitiba, gerando um prejuízo de cerca de R$ 2 milhões.

A polícia aguardava a análise da quebra do sigilo fiscal e bancário dos acusados, concedida pela justiça e encaminhado pelo Banco Central na última semana. O documento revela que os sócios na Interlaken não dilapidaram o patrimônio às vésperas do fechamento da agência, nem cometeram crime de lavagem de dinheiro.

Na verdade, a empresa passava por dificuldades financeiras, que culminaram no fechamento. “Em vez de decretarem falência ou pedirem recuperação judicial, os empresários continuaram com as atividades da agência, ludibriando as pessoas”, explica o delegado Guilherme Rangel, responsável pelo caso.

Em janeiro, as sócias da Interlaken, Lúcia e Marselle Fontoura – que são mãe e filha -, e o diretor financeiro da empresa, Augusto Benzi (filho de Lúcia), chegaram a ser presos. Outra sócia, Regina Sueli Fontoura, também teve a prisão decretada. Os responsáveis pela empresa ainda tiveram seus respectivos passaportes retidos pela polícia. Além disso, a Justiça decretou o bloqueio dos bens dos acusados – dois imóveis, contas correntes e os repasses que seriam feitos à empresa por parte de operadoras de cartões de crédito.

“Pedimos este bloqueio como forma de garantir que o prejuízo das vítimas seja reparado”, diz Rangel. Ao longo dos últimos seis meses, a Delcon ouviu cada uma das vítimas e, por duas vezes, tomou o depoimento dos sócios e diretores da Interlaken. O inquérito tem vinte volumes que, empilhados, quase chegam a um metro de altura. Até a semana retrasada, novas vítimas ainda procuravam a delegacia.

Outro lado

O advogado Rafael Nunes, que representa os acusados ligados à Interlaken, disse que a empresa foi levada a encerrar suas atividades por causa de dificuldades financeiras, agravadas pela alta do dólar e pelo desaquecimento do mercado de turismo. Segundo ele, seus clientes colaboraram com as investigações e apresentaram todos os documentos solicitados pela polícia. Por conta disso, o defensor não vê motivos para que os sócios da Interlaken sejam indiciados. O advogado disse ainda que os responsáveis pela agência de turismo jamais conseguirão se restabelecer profissionalmente.