Vizinhos da investigadora Kátia das Graças Belo, suspeita de matar a copeira Rosária Miranda da Silva com um tiro na cabeça, disseram que a policial civil costumava atirar com a arma de fogo sempre que se sentia incomodada. No dia 23 de dezembro, a copeira estava em uma festa de fim de ano, em um restaurante no Centro Cívico, ao lado da casa de Kátia, quando foi baleada. Rosária ficou internada até domingo (1º), quando morreu.

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Três vizinhos da investigadora prestaram depoimento à polícia e disseram que Kátia tinha o costume de usar a arma sempre que algum problema a transtornava. Um dos moradores confirmou que na noite em que Rosária foi baleada, ele ouviu barulho de tiro várias vezes. Um comerciante ouvido pela polícia no dia do crime também afirmou ter ouvido barulhos semelhantes aos de uma arma de fogo sendo disparada.

Os depoimentos dos moradores e também o de Kátia foram divulgados com exclusividade pela RPC. Kátia alegou ter atirado a esmo. Segundo ela, disparou apenas um tiro e a bala ricocheteou e atingiu a copeira.

Versão da investigadora

A investigadora negou ter usado a arma outras vezes e admitiu ter atirado, mas apenas com o intuito de assustar os participantes da festa em que Rosária estava. Disse também que antes de atirar havia procurado o responsável pelo restaurante e pediu que abaixassem o som. Ela afirmou que o rapaz respondeu não poder fazer nada porque os participantes da festa haviam alugado o espaço.

Neste momento, conforme o depoimento de Kátia, ela teria jogado algumas bombinhas para chamar a atenção dos participantes da festa, mas o grupo teria começado a provocá-la. Disse então que ficou muito irritada, desceu as escadas transtornada e atirou, de cima para baixo, em direção ao muro que faz limite com os fundos do restaurante.

A policial alegou que a sua visão estava obstruída por uma árvore e que o tiro acertou em outro lugar primeiro, ricocheteando em Rosária. Depois do disparo, Kátia disse que foi até a casa do namorado e afirmou não saber que havia atingido uma pessoa. Três dias depois, ela se entregou na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).  A copeira foi levada ao Hospital Cajuru, mas morreu no primeiro dia de 2017.

Homicídio doloso

O delegado Fábio Amaro chegou a pedir a prisão de Kátia, mas a Justiça negou e ela segue respondendo ao crime em liberdade. Ela deve ser indiciada por homicídio doloso, quando há a intenção de matar. A defesa dela argumenta que ela não poderia ser indiciada por esse crime, pois a policial não teria atirado com o intuito de atingir algum convidado da festa.

Uma reconstituição do crime foi realizada nesta quinta-feira (5).A Polícia Científica vai tentar descobrir se a versão de que a bala ricocheteou é verdadeira ou se o tiro foi dado diretamente em direção ao restaurante. De acordo com o delegado Fábio Amaro, o relatório final das investigações deve ser finalizado até o fim do mês.

Veja o momento do tiro