Cerca de 70 membros do movimento estudantil tomaram o campus Curitiba da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR), na Avenida Sete de Setembro, por volta das 23 horas desta sexta-feira (18). O ato ocorreu logo depois do último horário de aulas. Estudantes contrários à ocupação do prédio se manifestaram verbalmente, mas não chegou a haver agressão ou danificação de portas por parte dos invasores, como na invasão do campus Santos Andrade da Universidade Federal do Paraná (UFPR), dia 4 de novembro. Discutida em assembleias internas em dois momentos, a ocupação do campus Centro da UTFPR havia sido descartada pela maioria dos estudantes.

Por volta das 9h30 deste sábado, um grupo contrário à ocupação forçou a entrada na universidade para pressionar o fim da ocupação. Além dos estudantes, Alexandre Pohl, diretor de pesquisa da UTFPR, tenta estabelecer o diálogo entre os dois grupos. Carlos Henrique Mariano, assessor de assuntos estudantis da UTFPR, também está conversando com os alunos. O reitor Luiz Alberto Pilatti não participa diretamente das negociações porque está a caminho da Costa Rica para um evento. O clima esquentou ainda mais após a explosão de uma bomba de São João durante a tarde,  por volta das 15h. A Polícia Militar foi chamada.

Poucas horas depois a Justiça Federal determinou a reintegração de posse do prédio da UTFPR.  Os alunos que ocuparam a universidade ainda não teriam recebido a notificação, o que pode ocorrer só na segunda-feira. O grupo deve passar a noite no local.

Clima tenso

Estudantes que foram para a aula na manhã deste sábado se concentraram em frente ao prédio. Alguns tentaram abrir o cadeado para entrar, mas professores impediram para evitar confrontos. À medida que crescia a quantidade de pessoas que chegava ao local, a pressão para entrar também aumentava. Um grupo conseguiu passar pela porta de acesso e tirar a barricada que impedia a entrada. Acuados, os cerca de 30 manifestantes que estavam no prédio seguiram em direção ao ginásio e fecharam uma porta de acesso. Eles querem uma hora de prazo para realizar uma assembleia e consultar advogados. Os professores que intermediam as negociações concordaram com a proposta, mas alguns alunos contrários à tomada do prédio exigem a desocupação imediata.

A invasão

Uma foto publicada pela página “Ocupa UFPR”, no Facebook, mostra duas pessoas com rosto coberto usando blocos de concreto para obstruir uma porta do prédio. Parte do grupo que participou da tomada do campus usava máscaras. Até a publicação deste texto, a Polícia Militar não havia sido acionada para acompanhar o caso.

UTFPR

Em outra página do Facebook, “Ocupa UTFPR – CWB”, foi apresentado um manifesto que seria do grupo que tomou o prédio da universidade. Auto definido como “parte do movimento estudantil da UFPR”, o grupo disse ter decidido ocupar o campus “como forma de manifestação contra a PEC 55 (antiga PEC 241), e em apoio as/aos secundaristas na sua luta contra a MP 746 (que restringe a obrigatoriedade do ensino de arte, filosofia, sociologia e educação física, entre outras medidas) e a PL 221 (conhecida pelo apelido de “Escola sem partido e/ou Lei da mordaça”)”.

A presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UTFPR, Ana Carolina Spreizner, disse à Gazeta do Povo que o grupo é composto por estudantes ligados a movimentos independentes. Ou seja, sem ligação a centros acadêmicos ou ao diretório.

Na noite de 4 de novembro, a direção da UTFPR chegou a determinar a evacuação do campus Curitiba para evitar que o prédio fosse invadido. A medida foi tomada para garantir a realização no local do Enem, que ocorreria nos dois dias seguintes. A prova foi aplicada sem problemas.